- Caso dos 50 mil milhões de dólares
General sente-se vítima dos promotores da burla
- segunda, 18 Fev. 2019
- Valor Económico
- De Jure
JULGAMENTO. José Arsénio Manuel vai processar dois dos arguidos do caso denominado ‘burla tailandesa’. General garante ter agido pelo interesse da cooperativa militar. Os agora réus prometeram pagar a dívida pública em troca de concessões mineiras.
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O general José Arsénio Manuel, presidente do conselho de administração da cooperativa Njango Yetu, afecta às Forças Armadas Angolanas (FAA), garantiu ter apresentado uma queixa-crime junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) contra a empresária Celeste de Brito e o tailandês Raveeroj Ritchteanam, por se considerar “vítima” deste projecto de suposta burla ao Estado no valor de 50 mil milhões de dólares. A revelação foi feita perante o colectivo de juízes, que está a julgar o caso conhecido por ‘burla tailandesa’.
Durante a audiência, a semana passada, o oficial superior das FAA acusou Celeste de Brito e Raveeroj Ritchteanam de serem os principais promotores do processo em Angola.
José Arsénio Manuel revelou que teve um primeiro contacto com o caso a partir do momento em que tomou conhecimento da carta de chamada de um grupo de empresários tailandeses.
O general não soube precisar o conteúdo completo da suposta missiva, mas afirmou que, a determinada altura, Celeste de Brito e Raveeroj Ritchteanam “entraram em rota de colisão”.
O colectivo de juízes questionou, também, o réu se era normal o general Afonso Lopes Teixeira, na qualidade de assessor e colaborador da cooperativa, endereçar uma carta ao Presidente da República para interceder pelo projecto, respondendo que o seu assessor “o fêz por interesse da própria cooperativa”.
O general confirmou, por outro lado, que, além da UTIP, ele e o réu Raveeroj Ritchteanam, figura principal neste processo, participaram num encontro em que estiveram presentes o ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, e o actual ministro dos Transportes, Ricardo Viegas d’Abreu. Afirmou que, nesse encontro, “bastante curto”, os ministros questionaram apenas se o projecto teria custos para o Estado.
A alegada tentativa de burla de 50 mil milhões de dólares ao Estado começou, segundo a acusação, a 27 de Novembro de 2017, quando chegou a Angola um grupo de 10 pessoas, do qual faziam parte os agora quatro arguidos tailandeses e mais outros três nacionais da Tailândia, que não foram detidos por já não se encontrarem em Angola. A delegação era ainda composta pelo canadiano Pierre Rene Tchio Noukekan e pelo japonês Miyazaki Yasuo, também ausentes do país.





