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MECÂNICA. Oficinas de rua estão a ser combatidas pela ‘Operação Resgate’. Quem está no negócio quer formalizar a actividade mas há entraves, como a falta de espaço, financiamento e a burocracia.

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Quem anda por Luanda e um pouco por todo o país, facilmente depara-se com oficinas auto de rua que praticam preços mais baixos em relação às oficinas formais e, por isso, clientes não faltam. Portanto, é uma actividade rentável, segundo os ‘mestres’ que falaram ao VALOR.

Com características muito próprias, em que se destaca o acumulado de viaturas avariadas, estas oficinas de rua têm-se revelado autênticas escolas de formação. Muitos dos mestres de hoje começaram em espaços semelhantes como ajudantes. Depois de passarem a dominar a técnica, montaram as próprias oficinas, às vezes, partilhando a mesma rua com oficina onde se formaram. E ao que se verfica, a actividade emprega milhares de jovens, no entanto faz parte das que estão a ser combatidas pela ‘operação resgate’. Mas os operadores resistem à ameaça policial, porque entendem que devem defender o ‘ganha-pão’, como refere o mestre João da Piedade. Esse operador partilha a preocupação de vários dos seus colegas que pretendem regularizar a actividade, mas queixam-se de vários entraves. As dificuldades de acesso a financiamentos e de aquisição de espaços destacam-se, além da quase impossibilidade de conseguirem os alvarás comerciais.

Diamantino José Carneiro foi futebolista mas, há 20 anos, trocou a bola pela mecânica. Diz ser um jovem esquecido pela sociedade, porque há muito que luta para montar uma oficina de ‘primeira’ com bate-chapa e escola de formação e deixar a rua, mas não consegue.

Estima que, pelas suas mãos, terão passado mais de 50 jovens que hoje exercem também a mecânica de forma independente. Por isso entende que “pedir espaço e financiamento não é pedir muito”, mas antes estaria a criar emprego para outras pessoas. “O trabalho é top, até membros do governo me procuram, mas não facilitam”, acusa.

João Gaspar da Piedade também repara carros na rua há 20 anos, emprega três ajudantes e, às vezes, quando solicitados, deslocam-se ao encontro do cliente. “Trabalho na rua porque o espaço que adquiri para montar uma oficina de primeira fica distante. Eu vivo aqui no Rangel e o espaço consegui em Viana”, justificou, acrescentando que os clientes preferem oficinas localizadas próximo àcj estrada.

“Quero deixar a rua, até porque há casos em que os fiscais rebocam os carros dos clientes e nos criam problemas. Temos de pagar 20 mil kwanzas ou mais para reaver a viatura. Com o ‘resgate’ situação piorou.”

PREÇOS BAIXARAM

Os mestres, como são conhecidos, concordam que a actividade é rentável. Valdimar Kibacula detalha que cobram 40 mil kwanzas pela montagem de um motor de seis cilindros, enquanto, pelo motor de quatro cilindros, cobram entre 20 e 35 mil kwanzas. Antes da crise, cobravam para este serviço 150 mil kwanzas. Serviços menos complexos como o reaperto e troca de óleo custam 16 mil kwanzas.

João Gaspar da Piedade embolsa, em média, dois milhões de kwanzas por mês, que partilha com os ajudantes. Diamantino José Carneiro, por sua vez, fala em uma facturação média mensal de 400 mil kwanzas. E explica que a procura baixou, com o aumento de oficinas modernas.

Geralmente, os mecânicos recorriam aos mercados dos Correios e dos Kwanzas para a compra de peças, mas o primeiro foi encerrado no âmbito da ‘Operação Resgate’, o que complicou a actividade. “ Pioraram o nosso sofrimento”, lamentou Diamantino José Carneiro.

Muitos dos mestres não passaram em centro de formação profissional, aprenderam com a experiência diária, mas agora procuram actualizar-se para “seguirem a pedalada das novas tecnologias”.

 

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