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Os números oficiais ainda são desconhecidos, mas os factos dizem que sim, que a tendência é crescente do número de angolanos a emigrar. Testemunho de angolanos residentes em Portugal, por exemplo, dão conta do aumento de solicitações de conterrâneos para a criação de condições de acolhimento. E no país está cada vez mais fácil encontrar pessoas a manifestar o desejo de deixar o país a qualquer custo e a qualquer altura por culpa de estar cada vez mais difícil contornar as dificuldades determinadas pela actual conjuntura económica, conduzida pela desvalorização do kwanza que, mais do que reduzir a quase nada o poder de compra dos empregados, levou para o desemprego aqueles cujas empresas não resistiram ao fenómeno.

Tudo indica que, infelizmente, os números oficiais mostrarão que o Presidente da República esteve enganado quando, em Março, durante a visita do presidente de Portugal, Marcelo de Sousa, afirmou não serem verdadeiras informações de que aumentou o número de famílias angolanas que emigram.

O expectante é que sejam correctos os dados e factos dominados pelo Presidente da República. Seria melhor para o futuro, considerando o risco da saída dum elevado número de nacionais, quando o país continua a constar do ponto de destino de imigrantes, sobretudo ilegais, de culturas, religião e hábitos diferentes.

Não se trata de um grito xenófobo, mas de um alerta para a necessidade de se analisar a situação com realismo. O que acontece, por exemplo, se os membros de uma determinada família vão deixando a casa por diversas razões e, em sentido contrário, os vizinhos vão chegando? Estes, certamente, apoderam-se da casa.

Há, em Luanda, exemplos do país que se poderá ter , caso não se criem condições para que seja cada vez mais ínfima a possibilidade de o número de estrangeiros no país se aproximar ao dos nacionais. O bairro Mártires de Kifangondo é um exemplo. É a miniatura daquilo que Angola pode vir a ser no futuro, caso a saída maciça de angolanos seja compensada com a chegada de estrangeiros. Hoje, a emigração em massa representa mais perigo do que nos anos 1980 quando também muitos angolanos deixaram o país para se instalarem sobretudo em Portugal. Naquela altura, o país estava em guerra e, como tal, não constava entre os principais pontos de destino de imigrantes. Ou seja, a emigração não era ‘compensada’ com a imigração.

 

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