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De acordo com o relatório elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Angola alcançou, em 2017, a classificação de ‘país de desenvolvimento médio’, com a 147.º posição, superando países como a Nigéria (157.º), o Ruanda (158.º) e Moçambique (180.º). A notável classificação obtida pela nação africana deveu-se, em boa medida, ao período económico de 2000 a 2014, cujo PIB cresceu 14 vezes, abandonando a cifra de USD 9,1 mil milhões para atingir os USD 126,7 mil milhões, citando dados do FMI, equivalente ao acréscimo de 1.288%. Na componente ‘per capita’, o mesmo Estado, entre 2001 e 2014, incrementou 10 vezes a sua base, passando de USD 509 para USD 4.914, representando, portanto, um aumento de 865%.

Reparemos que, no ciclo acima mencionado (2000 a 2014), Angola passou de um PIB inferior ao do Zimbabué (USD 9,7 mil milhões) e do Congo RD (USD 19 mil milhões), para um montante quatro vezes superior à Kinshasa e oito vezes acima de Harare, cujos valores se fixaram entre USD 15,8 mil milhões e USD 35,9 mil milhões, respectivamente.

Além de ganhos socioeconómicos, África, no geral, e Angola, em particular, observam uma elevada taxa de crescimento demográfico, que reduziu substancialmente a repartição dos recursos. Aliás, o crescimento populacional representa um importante desafio para estas nações. Os dados do Banco Mundial apontavam para uma população de 16,4 milhões em 2000 e de 29,8 em 2017, ou seja, uma multiplicação por 1,8 vezes (acréscimo de mais de 70%). A título comparativo, em apenas 17 anos, o número de angolanos aumentou em montante superior a todos os residentes em Portugal. Contrariamente, se a taxa de crescimento populacional tivesse ficado abaixo dos 3,4% e a nação africana registasse na actualidade 18 milhões de habitantes, o PIB ‘per capita’ seria superior a USD 7.000, portanto, quase o dobro do presente.

No caso da SADC, a tendência demográfica crescente foi seguida por alguns países, onde o total da população sofreu um incremento de 219,2 milhões de pessoas em 2000 para 342,4 milhões em 2017, de similar modo, uma aproximação à duplicação (1,6 vezes).

Entre 2000 e 2015, registaram-se melhorias no nível de vida dos angolanos, nomeadamente, o aumento da Esperança Média de Vida, de 47 para 62 anos; o acréscimo no Poder Paridade Compra, já que em 2011 se registou- um valor de USD 2.771 elevado para USD 6.532 em 2017; decréscimo da Mortalidade Infantil, que sofreu uma redução de 123 falecimentos para 57 por cada 1.000 nascimentos e o aumento da expectativa de anos de escolaridade de seis para 10 anos. Angola é, e convém sublinhar, um país com indicadores superiores aos verificados na Nigéria, Ruanda e Moçambique.

Na componente industrial, a extracção petrolífera de 2000 a 2016 passou de 746 mil barris por dia para 1.828 mil barris por dia, num incremento percentual de 145%, ou seja, a duplicação do montante, tendo a produção de petróleo apresentado uma taxa de crescimento média anual de cerca de 10,7% entre 2001 e 2010. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a economia angolana cresceu a um ritmo estimado de 19,8% em 2007, depois dos 18,6% verificados em 2006, cifras recordes que se devem, essencialmente, ao aumento da produção e dos preços do petróleo, construção, agricultura, indústria e serviços financeiros, que exibiram o crescimento assinalável de 25,7%.

A visão microeconómica demonstra que a capacidade de consumo de cimento passou de 1.200 toneladas em 2004 para 7.697 toneladas em 2015, uma evolução seis vezes superior, das quais 6.880 de produção interna. Por sua vez, a produção metalomecânica, fulcral no apoio ao sector do ‘oil & gas’, o investimento em infra-estruturas ‘offshore’ apresentou um crescimento médio de 10% ao ano entre 2000 e 2009 e de 0,9% em infra-estruturas ‘onshore’. O país apostou ainda num pacote de recuperação e edificação de infra-estruturas, onde se construiu mais de 12 mil quilómetros de estradas e de 1.500 pontes, pelo menos, 300 quilómetros de caminhos-de-ferro, dois aeroportos internacionais e 13 nacionais, três portos internacionais, nove barragens, várias dezenas de alojamentos sociais, escolas, hospitais, hotéis e vários edifícios administrativos, tal como a alteração absoluta no padrão de consumo com o surgimento de centros comerciais, alavancado na reestruturação do sistema financeiro, após o nascimento de bancos (mais de 20 no período de tempo analisado) e seguradoras. Por conseguinte, a imagem de Angola mudou radicalmente, com a edificação de centralidades, a construção de diversos arranha-céus, diversas zonas residenciais e estruturas desportivas. Como resultado final das inúmeras alterações, Angola surgiu assim em 2018 como um Estado distanciado do paradigma de conflito e preparado para uma transição pós-guerra, cuja alteração estrutural da economia deve estar assente em quatro eixos: (i) modificação da composição sectorial da actividade económica, (ii) modificação do modo de utilização dos resultados da actividade económica, (iii) modificação da repartição funcional dos resultados da actividade económica e (iv) modificação do padrão de evolução demográfica. Portanto, esta será a base para o relançamento, reposicionamento e fomento da actividade industrial e financeira, consequente crescimento e possibilidade para se vencer a componente crónica do subdesenvolvimento, pobreza e desindustrialização.

Por maiores que sejam as promessas políticas, para África, no geral, e Angola, em particular, não existirão vitórias no curto-prazo, nem tão pouco atalhos. O caminho para a alteração da estrutura será de ‘longo – longo prazo’, respeitando o valor agregado de cada transição.

 

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