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Além do proclamado combate à corrupção, o Presidente da República elegeu a criação massiva de emprego como uma das prioridades do seu Governo. O compromisso foi assumido com números precisos, cantarolados ao longo de toda a campanha eleitoral e nas intervenções de circunstância, após à sua investidura. Os angolanos que depositaram confiança em João Lourenço e no MPLA marcaram 500 mil empregos para cobrar até Setembro de 2022. Hoje, com cerca de ano e meio consumidos do consulado, começa a fazer-se tarde para as conclusões preliminares sobre a capacidade de cumprimento desta promessa. Para já, os sinais concretos são expressivamente preocupantes. Ao contrário da luta contra a corrupção, a criação do emprego está encostada numa posição terciária no discurso do Presidente. Na última vez em que foi questionado a propósito, em conferência de imprensa, João Lourenço escapou-se pela longitude do seu mandato. Se foi eleito para Presidente até 2022, então os angolanos têm de ter paciência e fazer as contas quando chegarem à meta. Ainda que defensável em termos matemáticos, é uma explicação politicamente angustiante e socialmente desastrada. As principais promessas eleitorais, no plano psicológico, são cada vez mais recebidas com expectativas de resultados tangíveis de curto prazo. É uma situação hoje quase que incontornável e é, sobretudo, do incumprimento das ansiedades de curto prazo que decorre o fenómeno do desgaste acelerado da função e da imagem presidencial.

Mas a promessa do emprego não está minimizada apenas a nível do discurso. Os factos são ainda mais aterradores. Notícias sobre empregos criados praticamente desapareceram dos jornais. Em contrapartida, os despedimentos somam e seguem nas empresas e em quase todos os sectores de actividade. Por ora, faltam dados fiáveis compilados. Mas, nessa ausência, sobra a certeza de que, até hoje, o Governo de João Lourenço mais destruiu do que criou empregos.

É verdade que há uma certa narrativa que toma a destruição do emprego como consequência natural do desmantelamento do empresariado forjado na era de José Eduardo dos Santos. Por outras palavras, há quem a tome por destruição criativa. Mas a destruição criativa, na sua essência, implica necessariamente a substituição do indesejado por alguma alternativa inovadora e melhorada. Em matéria do empego, não se pode dizer que isso seja um facto.

 

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