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O papel das mulheres angolanas, tradicionalmente, reconduz-se ao cuidado da família e tarefas domésticas. Mas, se olharmos para a realidade local, facilmente percebemos que, neste país, o género feminino tem uma grandeza muito superior, se comparada à função que tradicionalmente lhe está reservada.

Em Angola, a realidade das mulheres é bastante complexa e muito desafiante, onde a população feminina está dividida, de forma simplista, em dois grupos: mulheres urbanas e mulheres rurais. No primeiro grupo, estão as que vivem em grandes urbes, como Luanda, por exemplo, têm acesso à educação e, consequentemente, a mais oportunidades de trabalho. No segundo grupo, encontramos as mulheres rurais, que vivem nas zonas agrárias e, por este motivo, têm acesso à escolaridade precária, o que dificulta a obtenção de melhores oportunidades de emprego, independentemente do seu êxodo. A cultura africana, fortemente enraizada em valores ancestrais, aliada à pobreza endémica do continente, habitação insegura, baixa escolaridade, casamento e gravidezes precoces, obrigatoriedade do trabalho doméstico, afastam muitas meninas do sistema escolar. Por conta disso, as mulheres encontram sustento mo comércio paralelo e informal, as chamadas “zungueiras”. Esta realidade é por de mais preocupante porque o género feminino representa a maioria da população e vive mais tempo do que os homens, sendo, portanto, factor produtivo seguro e uma vez trabalhando, investe 90% do rendimento nas suas famílias, em comparação a 35% no que se refere aos homens (Fundação Joyce Banda).

Entre 2000 e 2017 o país viu a esperança média de vida entre as mulheres aumentar de 49,5 anos para 64,7 anos, superando a dos homens, fixada em 59 anos. O número de cidadãs a estudar aumentou, sendo visível a mão-de-obra qualificada em variados sectores, em posição de chefia, inclusive em Conselhos de Administração, Ministérios e partidos políticos ou iniciativas empresariais. As mulheres, mesmo contando com uma expectativa de 11 anos de escolaridade, perante os 12,7 anos dos homens, apresentam resultados indubitavelmente positivos. Em números, ‘elas’ representam 13,3 milhões habitantes contra 12,5 milhões de homens, contando que 65% da população total tem até 24 anos e 75% menos de 30. Em Luanda, por exemplo, existem 67 homens por cada 100 mulheres e a idade média da população é de 21,1 anos, enquanto apenas 1,5% dos habitantes têm mais de 65 anos. A mediana de idades no país é de 16,4 anos (PNUD e Censo 2014).

Logo, qualquer iniciativa que seja implementada no país deve ter presente esta realidade, para dar lugar a estratégias de protecção e capacitação feminina. Seria interessante que existissem mecanismos empresariais e estatais de subsídios à maternidade, licenças de maternidade mais alargadas e de paternidade, sendo certo que, em Angola, existe, para as mães trabalhadoras, uma licença remunerada. Para o grupo de mulheres rurais e tendo em conta o importante papel que desempenham, seria vantajoso criar grupos de poupança informais, para apoiar redes de mulheres integradas na produção agrícola, gerando recursos de “cotworking”, cujos os valores adquiridos seriam canalizados para o financiamento de inúmeros bens e serviços, tais como propinas escolares, cuidados de saúde, entre outros. Uma das formas de integração destes grupos, geralmente carenciados, sem descurar a componente institucional, passa pela criação de redes (BOBBI GRAY). As mulheres (rurais e urbanas) fazem parte do grupo mais frágil perante as variações do ciclo económico. Em caso de expansão, surgem mais oportunidades, mas, perante contracções, têm maiores dificuldades.

Em conclusão, a capacitação das mulheres deve ser incentivada, até porque, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a promoção feminina é decisiva para o aumento das exportações, maior resiliência para o sector financeiro e produção de um maior e mais sustentável crescimento económico. À medida que as oportunidades surgirem (educação, trabalho, projetos e financiamento), mais estável se tornará a taxa de natalidade. Em Angola, a inserção das mulheres na economia tem sido reforçada, desde sempre, tendo motivado uma nova ética executiva, nova agregação de competências e diferente postura de liderança. Os momentos históricos da nossa nova pátria assim o demonstram, dando como exemplo o caso de Elisa Gaspar, premiada no Brasil pelo seu trabalho sobre Malária Congênita, noutro campo, Marlene Fonseca, no exercício médico-militar “Tambala 2017”, Filomena Burity da Silva Neto, Rosa Cunha, mulheres militares das Forças Armadas Angolanas (FAA) promovidas à classe de generais. No que toca ao empreendedorismo no feminino, surgem nomes como Maria Luísa Abrantes, premiada pela Organização de Mulheres no Comércio, e de Isabel dos Santos, definida por Donald Kaberuka, então presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), como “exemplo de empresária que enche de orgulho não só os angolanos como todos os africanos”. Todas, ilustres senhoras angolanas, que nas suas distintas áreas transcendem, em muito, o papel “tradicional” da mulher.

A Angola cabe continuar a fortalecer este pilar: mais mulheres, mais prosperidade.

 

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