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São mais do que fundamentados os receios de uma provável revisão do Orçamento Geral do Estado do próximo ano. A inscrição do preço médio do barril do petróleo nos 68 dólares é uma decisão imprudente. E nem a inventariação de todos os argumentos sobre os cenários mais optimistas permite dizer o contrário. No panorama internacional, a maioria esmagadora das análises mais consistentes coloca o preço médio do petróleo na casa dos 70 dólares, no próximo ano. E trata-se de estudos que já incorporam os efeitos esperados da efectivação das agravadas sanções contra o Irão, por obra de Donald Trump. Por outras palavras, da nova investida do presidente dos Estados Unidos contra o regime de Teerão esperam-se externalidades sobre os mercados e com particular realce sobre o aumento do preço do petróleo. Tirando isso, resta muito pouco que, em termos objectivos e previsíveis, faça adivinhar oscilações significativas para cima, como é desejo sobretudo dos produtores.

Aliás, excluindo as sanções contra o Irão, as variáveis mais tangíveis que sobram vão no sentido da pressão para a queda dos preços. A começar pelo poderoso interesse do presidente dos Estados Unidos em ver a transação do petróleo a níveis não-nocivos à economia norte-americana. Trump já mostrou que a ‘guerra’ contra a OPEP não é para parar e que os seus ‘tweets’ podem causar aos produtores do cartel e seus aliados mais dissabores do que se calcula. A OPEP até pode contra-atacar com a promessa de “tudo fazer” para contrariar os intentos de Trump. Mas se esse “tudo fazer”, por hipótese, implicar novos compromissos de cortes na produção aplicáveis a todos os membros também não será boa notícia, porque as contas angolanas ficariam na mesma comprometidas.

Ao lado dos ‘tweets’ contra a Opep estarão também externalidades, ainda por estimar, deriváveis dos ‘tweets’ de Trump contra a China. A guerra comercial dos Estados Unidos contra o ‘gigante asiático’, sem fim à vista, já deixou claro que terá implicações na expansão da economia mundial no próximo ano. Governos e organizações internacionais já foram forçados, aliás, a corrigir para baixo as previsões de crescimento da economia mundial, por conta desse conflito chino-americano. E há muitos analistas a admitirem que a profundidade e a transversalidade das consequências dessa ‘briga’ não podem ser cabalmente antecipadas.

Estando completamente expostos a varáveis que não controla, os cálculos do Governo sobre o comportamento do petróleo, em 2019, tinham todas as razões para serem mais comedidos. Como deixa entender e bem o consultor financeiro Ivan Negro, qualquer excesso não faria mal a ninguém. Pelo contrário. Dramático mesmo para a consolidação orçamental será, se mais uma vez, tivermos de aprender a lição que, nos últimos oito anos, escrevemos várias vezes no caderno.

 

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