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Não devemos fugir às palavras. O realismo económico sobrepôs-se a todas as ideologias e a abordagem da relação com a China exige, como nunca, um reajustamento obrigatório. Hoje, tornou-se quase ridículo questionar a necessidade da firmação de parcerias estratégicas com o gigante asiático. É qualquer coisa risível, porque evitar a China equivale a um suicídio económico e até político. E, como é óbvio, essa sujeição não é aplicável exclusivamente aos países em desenvolvimento.

Com a sua influência global a consolidar-se diariamente, a China banalizou as críticas dos seus rivais sobre a sua determinação de ignorar os ‘assuntos internos alheios’ na relação com os parceiros. É uma reafirmação de Xi Jinping seguida à risca, como sublinha o embaixador chinês em Luanda, numa rara entrevista a um jornal angolano. Frequentemente questionado pelo Ocidente, o regime chinês tem consciência de que não pode dar lições em matéria de abertura política. E essa determinação é, indiscutivelmente, um dos principais facilitadores da implantação, sobretudo, no continente africano, onde têm prevalecido regimes com os mesmíssimos ‘telhados de vidro’. Não é essa, portanto, a inquietação africana quando se trata de questionar o modelo de relação com a China. Muito menos é a preocupação angolana.

O que interesse a Angola, neste momento em que a relação bilateral é revista ao mais alto nível, é a garantia efectiva de que o país vai reter proveitos visíveis, valiosos e duradouros dessa parceria. Tão importante quanto isso, é a exigência da transparência. Boa parte do sentimento contra o financiamento chinês a Angola, ao longo dos últimos anos, explicou-se precisamente pela opacidade dos acordos. Não havia informação oficial credível sobre o volume dos empréstimos. Os termos dos acordos, por via de regra, eram desconhecidos. E os angolanos sempre revelaram dificuldades em perceber e visualizar as oportunidades de negócios criadas pela presença chinesa. É genericamente sabido, por exemplo, que a determinação dos 30% para nacionais nos projectos executados por empresas chinesas nunca foi verificada. Não deixa de ser curioso, por isso, que o embaixador chinês revele que o seu país nunca recebeu qualquer reclamação das autoridades angolanas por incumprimentos de acordos, quando vários governantes já reconheceram, em diversas ocasiões, que os 30% não eram observados.

Mais do que palavras e papéis rubricados, o que se espera com essa primeira visita oficial de João Lourenço à China é, de facto, uma mudança prática na relação. Por razões óbvias, Angola, sobretudo, precisa de resultados.

 

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