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O argumento de combate à corrupção e de moralização do Estado não parece suficiente para reunir consensos em torno da onda de processos judiciais e consequentes prisões de figuras de destaque do anterior Governo e do MPLA. Em surdina, sectores ligados ao partido no poder questionam a justeza de certos processos, mas a contestação mais aberta até vem de actores com histórico de luta contra a governação. É o caso do conhecido advogado e deputado David Mendes.

Em entrevista ao VALOR, o aclamado ‘advogado dos pobres’ ataca directamente a decisão da Procuradoria-Geral da República, que privilegia medidas de coação extremas, quando se colocam, em certos casos, alternativas legais e justificadas menos gravosas.

David Mendes junta-se também ao coro dos que encontram mais motivações políticas do que sustentação judiciária em alguns casos e chega mesmo a dizer que existe vingança e pressão política na cruzada contra a corrupção.

Outro alerta não menos relevante é aquilo a que chama risco do populismo, ilustrando com a inebriação popular que leva à humilhação pública de cidadãos que, no mínimo, gozam da presunção de inocência.

Mas a ‘cólera justicialista’ não parece ter tomado apenas conta da opinião e da abordagem mais vulgar. Em parte da comunicação social interna e externa, os reflexos da ausência de sobriedade se explicam com o amontoado de erros incompreensíveis na apresentação de muitos conteúdos. O caso da detenção do ex-presidente do Fundo Soberano e do proprietário da Quantum Global deu uma demonstração terminada. Mesmo com a clarificação da Procuradoria-Geral da República de que o agravamento das medidas de coação aplicadas a Filomeno dos Santos e a Jean Claude Bastos de Morais se deviam a “actos de gestão do Fundo Soberano”, a esmagadora maioria da imprensa noticiou que as detenções estavam relacionadas também com o caso da suposta transferência irregular de 500 milhões de dólares do BNA. O resultado foi naturalmente um vendaval de desinformação completa que chegou a confundir os leitores, telespectadores e ouvintes, num processo já por si de interpretação complexa. E isso é um alerta claro para a necessidade de ponderação, sobretudo das vozes mais avisadas, no meio do caos.

 

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