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Na segunda metade da década de 2000, quando Angola registava recordes inalcançáveis de taxas de crescimento, alguns analistas internos começaram a sonhar com a possibilidade de reinvenção do acrónimo grafado pela primeira vez pelo economista Jim O’Neill.

O ‘boom’ da economia do país coincidia com a afirmação dos BRIC no espaço internacional, em clara alternativa à ditadura dos paradigmas ocidentais nas relações comerciais, económicas e geo-políticas. Na altura, a África do Sul estava a anos de ver formalizada a sua integração no bloco que reunia os gigantes emergentes.

E, antes da concretização dos BRICS em 2011, houve quem se atrevesse a grafar os BRICA, numa alusão ao que na verdade não passava de uma quimérica acoplagem de Angola ao grupo até então formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China.

Os anos, naturalmente, foram passando e a crise internacional iniciada em 2008, mas que em Angola só tem reflexos visíveis a partir da segunda metade de 2009, não só despertou que o sonho dos BRICA era algo impossível na altura, como lembrou que a confiança cega no petróleo representava uma séria ameaça à estabilidade macroeconómica e até política e social do país. Menos dolorosa do que o ‘tsunami’ económico, financeiro e cambial de 2014, a crise de 2008 não deixaria, entretanto, a aprendizagem de que o país precisava.

A reapreciação do petróleo nos mercados internacionais, no intervalo entre as duas crises, recolocou o país na loucura e na ilusão da fartura. E, como consequência imediata verificada nos últimos anos, o projecto de diversificação da economia pouco mais serviu do que um adorno de luxo do discurso político.

Com a onda de choque levantada por João Lourenço, motivada também pelo novo contexto político e económico, os atrevimentos grafados há mais de uma década voltam a ser recuperados pela memória. Em parte pela presença do Presidente da República na reunião que juntou os BRICS, na última semana, na África do Sul.

Fiel à apologia de um novo mundo, João Lourenço desafiou os países africanos a cortarem caminhos para recuperarem o atraso para economias como as dos BRIC, lembrando explicitamente aos seus pares do continente a agenda de reformas que decidiu efectivar em Angola.

Para quem idealizou os BRICA até 2008, a ambição de João Lourenço, no contexto da sua deslocação à Africa do Sul, na última semana, é qualquer coisa que pode apelar para um novo sonho: a obrigação de levar o mundo, em algum momento, a aceitar a reinvenção dos BRICS para os BRICSA.

 

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