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O Banco Nacional de Angola voltou a mexer na taxa de referência de juro e no coeficiente das reservas obrigatórias, sinalizando algum ‘desafogo’ no encarecimento do crédito e no aperto da liquidez.

Tal como é intenção do banco central, a generalidade dos operadores económicos perspectiva assim, nos próximos tempos, alguma disponibilidade maior dos bancos em conceder empréstimos à economia. Mas, como se percebe nas opiniões esplanadas nas páginas 14 e 15 desta edição, as medidas não geram necessariamente consensos.

O economista Yuri Quixina, citado na peça, vê por exemplo um certo perigo nos argumentos avançados pelo BNA, concentrados na queda da taxa da inflação. São perigosos, porque, ao contrário do BNA que observa uma descida estrutural e consistente da inflação, o economista vê uma inflação que recua de forma artificial, suportada sobretudo pelos atrasos do Estado no pagamento a fornecedores e aos empregados.

A banca, por sua vez, ainda que concorde com o sinal de desaperto do BNA, não estará propriamente disposta a esfregar as mãos de contente. E aqui o problema é diferente daquele que advoga o economista. Com a revisão da política monetária, no passado, que levou à retirada dos títulos públicos na constituição das reservas obrigatórias, os bancos viram-se desprovidos de um recurso atenuante no enxugamento da sua liquidez. No fundo, é como se tivessem passado a fazer uma espécie de ‘sacrifício’ duplo, sendo ‘obrigados’ simultaneamente a emprestar dinheiro ao Estado, através da compra de títulos do Tesouro, e a cativar dinheiro para o Estado, pelo cumprimento das reservas obrigatórias.

Não espanta assim que vários banqueiros e bancários consultados a propósito das mais recentes medidas do BNA não tenham manifestado grande entusiasmo, quanto à possibilidade de um avanço significativo dos empréstimos à economia. Por um lado, porque é expectável que os bancos desviem parte significativa da liquidez a ser libertada para os títulos públicos. Por outro, porque, pelo menos no curto prazo, o contexto económico continuará a projectar-se excessivamente frágil, para justificar um atrevimento maior dos bancos com empréstimos às empresas e às famílias.

Em tese, isso significa que não é para já que o Banco Nacional de Angola se livra do complicadíssimo equilíbrio que o obriga a manter a liquidez sob controlo, sob pena da derrapagem da inflação, e a garantir, ao mesmo tempo, alguma abertura para estimular o crédito e o investimento. A cautela na revisão da taxa de referência e na redução do coeficiente das reservas obrigatórias é mais do que esclarecedora.

Last modified on terça, 24 julho 2018
 

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