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O primeiro aviso claro foi na entrevista que concedeu à ‘Euronews’. No discurso da última semana, em Estrasburgo, no Parlamento Europeu, saiu a sentença. João Lourenço reescreveu, em definitivo, as fronteiras geográficas de discussão dos problemas internos. Uma verdadeira revolução se tivermos, como histórico, o ‘modus operandi’ do seu próprio partido.

Até há um passado muito recente, era comum militantes e responsáveis do MPLA, a todos os níveis, revoltarem-se contra políticos na Oposição que fizessem declarações críticas à governação fora de portas. E, entre as múltiplas justificações, os ‘camaradas’ tinham a preferência de evocar a exposição do país à ingerência externa. Os adjectivos aos oposicionistas sucediam-se, por isso, em tom e em nível de gravidade. De fantoches a vendedores de pátria.

Agora é o próprio Presidente da República que, de forma explícita, dá razão aos políticos na Oposição, ainda que por motivações diferentes. Os adversários do MPLA explicavam-se, amiúde, com a alegada falta de espaço no universo mediático. E juntavam, nas reclamações, a suposta manipulação constante das suas ideias nos órgãos de comunicação social de grande cobertura, especialmente os públicos. O Presidente da República não falou da sua justiça, mas é fácil apurar pelo menos duas hipóteses. A primeira está relacionada necessariamente com a sua agenda de recusa do que considera errado no legado do seu antecessor. A segunda tem que ver com a forma como encara a necessidade de aceleração do investimento estrangeiro, pela via da ‘certificação’ do seu Governo pelo Ocidente. Não causa espanto, por isso, que João Lourenço tenha feito um discurso à medida dos ouvidos europeus. Mesmo quando tratou de referir as questões transversais africanas, com destaque para a tão controversa tragédia migratória.

Que o Presidente tem legitimidade para ‘estender o tapete vermelho’ à Europa em toda a dimensão, isso é indiscutível. Se tem completa razão, isso é outra história, só o futuro o dirá. Mas, enquanto o futuro não chega, há cautelas que não podem ser ignoradas. Por uma explicação simples. Se nos predispusemos a prestar contas à Europa e ao jeito europeu, independentemente dos nossos motivos, temos de estar dispostos a continuar a fazê-lo com disciplina canônica. O argumento de ingerência interna, tantas vezes invocado, no futuro cai por terra. E não nos poderemos queixar do que for, se, em algum momento, a Europa entender que está no seu direito de exigir contas no primeiro formato que lhas oferecemos. Afinal, a ideia de que o Ocidente é amigo do desenvolvimento africano é apresentada como ilusão todos os dias em análises, livros e relatórios credenciados.

 

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