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Em qualquer situação normal, o último guardião da idoneidade editorial dos jornais são os seus directores. É assim que, em teoria, o papel desses responsáveis editoriais é percepcionado. E é dessa forma que se espera que o desempenhem na prática. Se num repórter se ‘tolera’ o descuido de apresentar uma reportagem com dados imprecisos, num director não se cogita a mais básica confusão entre facto e especulação. Ou entre liberdade de expressão e libertinagem de imprensa. Porque é também da observância permanente desses pressupostos que depende a credibilidade de um jornal. Pelo menos, é esse o nosso entendimento.

Interpretação contrária parece ter o director do ‘Jornal de Angola’. Na edição de domingo, 17, o mesmo decidiu comentar a polemizada entrevista que o empresário Bartolomeu Dias concedeu ao VALOR e em que faz duras críticas a certas decisões e ao estilo de governação de João Lourenço. Tudo não teria passado de um exercício legítimo do direito à opinião, se o dito director não tivesse extrapolado os limites da sua liberdade, ao declarar que se tratou de uma “entrevista encomendada”. O responsável do jornal do Estado não se deu ao trabalho de se explicar, até porque é impossível explicar-se uma especulação gratuita. Não tomou o cuidado de fundamentar o que fosse, até porque não se pode fundamentar uma acusação irresponsável. Simplesmente optou por abusar da prerrogativa de usar um título pago por todos os contribuintes para caluniar, de forma grave, um jornal que se tem distinguido, no mínimo, pelo bom jornalismo.

É certo que não nos colocamos na disposição de provar o que quer que seja ao referido director. Entre todas as razões, porque simplesmente não há nada a provar. Se a decisão de se dar a voz a um empresário afectado por uma decisão presidencial é “visivelmente”encomenda e não puro jornalismo, então estamos conversados: ele que fique com o jornalismo e nós que fiquemos com as encomendas. E, claro, estaremos sempre na expectativa de o ver encontrar encomendas em todas as entrevistas com conteúdo crítico à governação.

Dito isto, uma merecida palavra aos leitores, com os quais, desde o primeiro minuto, assumimos o compromisso de servir a causa do jornalismo. Não haverá outra forma de sermos lidos e interpretados senão pelos inegociáveis rigor e isenção que caracterizam o trabalho que se faz nesta casa. As marcas são irrefutáveis, num arquivo acumulado de mais de dois anos de VALOR e de pouco mais de seis anos de ‘Nova Gazeta’. Até hoje, são centenas de milhares de páginas que se misturam entre elogios e críticas à governação. A de ontem e a de hoje. Críticas e elogios de dentro, concretizados em artigos de opinião dos directores e editores. E críticas e elogios de fora, expressos também em artigos de opinião, entrevistas e em conteúdo diverso. E não, não é a atitude fútil de quem usa o poder da intermediação dos jornais para ostentar vaidades, é a única forma de fazer jornalismo em que nos revemos. Não, não é a postura leviana de quem confunde os desvarios pessoais com as causas do Estado, é o peso da responsabilidade de quem coloca o jornalismo ao serviço da regulação dos poderes.

E não, não é encomenda, é jornalismo. O resto, o resto mesmo… são alucinações.

 

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