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De certa forma, o país continua preso num mar de expectativas. É a sensação geral com que se fica, sobretudo, quando se fala com os agentes que lidam diariamente com os problemas reais da economia. A diferentes níveis, mais do que ideias aparentemente soltas de boas intenções, pedem-se planos e projectos concretos. Os empresários e investidores nacionais assistem a uma correria do Governo ao exterior à procura do capital estrangeiro, mas não têm ideias do que está pensado para o apoio de que precisam. Grosso modo, as empresas vêem a autoridade tributária diariamente à porta à procura de impostos, mas não vislumbram perspectivas imediatas de melhoria do negócio ou, pelo menos, de acesso ao financiamento.

No fundo, a cerca de quatro meses para o fecho do primeiro ano do novo Governo, as incertezas continuam a sobrepor-se às certezas. Mesmo com a consciência do tempo que, por via de regra, as reformas requerem, ressaltam cada vez mais os questionamentos sobre a ausência de resultados tangíveis de prazos mais imediatos. Na entrevista que trazemos esta semana, um notável empresário angolano faz uma leitura sobre a governação que corporiza precisamente parte das ideias defendidas pelas correntes mais cépticas. Bartolomeu Dias, numa linguagem clara e com um discurso contundente, critica não só a qualidade de uma série de decisões cruciais, mas também o estilo. Na declaração de João Lourenço à ‘Euronews’ sobre o desfeito consórcio na aviação, por exemplo, o empresário não só encontra “arrogância”, como vê uma decisão que põe em causa a imagem do país. E, como argumento, defende-se com o facto de se tratar de um processo que era necessariamente do conhecimento do Presidente da República e que, só por isso, não merecia o tratamento que teve da parte do chefe de Estado. Essa é, aliás, uma das razões por que já dizíamos, na última semana e neste espaço, que seria no todo justificado o Presidente da República explicar-se sobre o motivo que o levou a anunciar, no exterior, a inexistência do consórcio Air Connection Express. Porque, na ausência dessa explicação, mais do que se avaliar a qualidade da decisão, a tenção geral fica votada para a qualidade do estilo.

Qualquer coisa como relegar o conteúdo para o segundo plano em benefício da forma. Mas a preocupação dos cépticos, claramente em contraponto com os aplausos provindos de fora e não só, vai um pouco mais além. A ideia de um chefe de Estado que, até ao momento, “só colocou travão no desenvolvimento”, se transportada além da decisão sobre o consórcio, tem de justificar alguma preocupação da parte de quem governa.

 

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