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Novos voos. Novo alerta. Dúvidas no ar. Essa foi a sequência dos títulos de três editoriais que saíram entre Fevereiro e Maio deste ano. Todos acerca do propalado negócio da Air Connection Express, o anunciado consórcio público-privado que deveria retirar a TAAG das rotas domésticas. E todos com o denominador comum da dúvida.

Primeiro, a dúvida dos critérios de selecção dos operadores privados. As informações sobre a constituição do consórcio foram saindo a conta-gotas. O VALOR antecipou-se sempre na divulgação de cada facto novo e, no primeiro momento, os nomes dos selecionados ficaram guardados a sete chaves. Era natural que se colocassem interrogações sobre a transparência do processo e o mérito das escolhas.

Em segundo lugar, a dúvida da capacidade financeira dos integrantes. Revisado o histórico do mercado da aviação, não sobressaiu qualquer registo de desempenho digno de realce, especialmente no sector privado. O que mais se contam são falências que se multiplicam por falências. Era esperado que se procurasse perceber qual seria o trunfo que finalmente levaria um pote de empresas falidas a viabilizar um negócio que, à partida, exigia um esforço financeiro significativo. Era também expectável que se procurasse o esclarecimento de até que ponto não estava em causa uma artimanha que, em última instância, levaria ao sacrifício dos recursos do Estado. As respostas vieram logo que ficaram conhecidos todos os rostos da operação. E os medos adensaram-se. Foi de alguns dos próprios seleccionados que o VALOR ouviu alertas de que nem todos poderiam estar em condições de aportar o capital inicial exigido. Foi destes a sugestão da abertura do capital para mais interessados, no sentido da redução do esforço financeiro de cada empresa.

Contra todas essas possibilidades e sem que os receios ficassem refreados, o ministro dos Transportes elevou o nível de compromisso do projecto. Há pouco mais de duas semanas, Augusto Tomás apareceu a patrocinar a assinatura do acordo de fornecimento de aeronaves que o consórcio assinou em Luanda com a canadiana Bombardier. Eis que, com alguma surpresa, João Lourenço aparece na Euronews a desfazer tudo. A desmontar tudo num tom que fez crer que o Presidente da República sequer alguma vez deu ‘luz verde’ a Augusto Tomás para concretizar a Air Connection Express. Não fica suficientemente claro se o ‘recuo’ do Presidente de deve às críticas sobre a presença de membros do seu gabinete no negócio. Ou se terá resultado de uma avaliação técnica que tenha ditado a inviabilidade do negócio. Ou se originou de uma simples vontade de ver as coisas de outra forma, depois das indicações iniciais de que o projecto teria tido a sua ‘bênção’ inicial.

Tendo em conta a dimensão em que atingiu a formalização do compromisso, seria interessante se o Presidente pudesse clarificar isso: a razão do seu veto. Ainda que tenha puxado o tapete ao seu ministro; ainda que o tenha desautorizado em hasta pública, o motivo da sua decisão falará mais alto na hora de ser avaliado. Será sempre mais fácil ignorar a aparente desarticulação com o ministro, se todos ficarem a saber que, no fim de contas, é o interesse público que ficou salvaguardado.

 

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