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O 27 de Abril de 2018 também se inscreveu na lista das datas históricas em Angola. Foi o primeiro dia do resto da presença de José Eduardo dos Santos na política activa. Na tarde da última sexta-feira, o bureau político do MPLA oficializou, de forma definitiva, o congresso extraordinário para a primeira quinzena de Setembro deste ano. E anunciou a aprovação terminante de João Lourenço para a liderança do partido. José Eduardo dos Santos cumpre assim a sua promessa de abandonar a política activa e, mais do que isso, assegura a prometida transição natural e pacífica no partido que governa desde a Independência, depois de o ter feito a nível do Estado.

Dentro de pouco mais de quatro meses, fica assim concluída, em termos institucionais, a transição política, com João Lourenço a afirmar-se em todo o terreno. As leituras completas sobre as possíveis derivações políticas deste processo, na perspectiva da concentração do poder em João Lourenço, terão de aguardar pelo mestre tempo. Mas o simbolismo com efeitos na vida económica e social do país jamais se colocaria em questão. Mesmo para a lente de quem nos vê de fora.

João Lourenço empreendeu uma intensa agenda reformista que gerou expectativas elevadas dentro e fora de portas. Numa sentada, o nome de Angola passou a ser associado à imagem de um país disposto a reerguer-se por vontade própria, distanciando-se paulatinamente das manchas que lhe têm servido de referência. Os textos, palestras e colóquios sobre um país corrupto dão lugar cada vez mais a reflexões repletas de ansiedades sobre um país com futuro.

Os efeitos práticos no plano económico não se fazem esperar. O visível trabalho na diplomacia económica vai melhorando gradualmente a opinião externa de entidades institucionais privadas e supranacionais. Apesar do quadro ainda adverso, as agências de rating estão ansiosas por melhorar o risco soberano do país, retirando-o da escala abaixo do investimento. O Fundo Monetário Internacional, cujo convite para Angola já se esperava desde antes das eleições do ano passado, parece mais confiante na intenção do Governo de levar adiante com firmeza o seu programa de estabilização macroeconómica, que deve incluir um verdadeiro saneamento das finanças públicas. Os investidores externos também têm as suas motivações para se sentirem mais interessados. Com a garantia da estabilidade política e a grande abertura da legislação ao investimento estrangeiro, vêem reduzidas as desculpas de que se serviram, no passado, para desviarem os investimentos para outras paragens.

 No fundo, no fim de contas, José Eduardo dos Santos e João Lourenço, com erros e acertos, cada um terá o seu nome inscrito na história com o seu mérito e as suas circunstâncias. O primeiro, com a virtude de pacificador e, mesmo com erros, com a distinção de ter lançado as bases para a construção do país que se almeja. O segundo, mais seguramente, como o reformador que cristalizou as bases para o desenvolvimento integrado e sustentado.

 

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