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José Eduardo dos Santos balizou as datas de realização do congresso extraordinário do MPLA, estabelecendo um máximo para lá do prazo prometido para a sua saída da vida política activa. Algumas vozes radicais internas e externas encontram nisso razões suficientes para se deitar o país abaixo, com a defesa do regresso ao caos total. Agarradas sobretudo na desculpa de um alegado recuo do líder do MPLA, essas vozes, dentro e fora do país, vomitam intempéries de ódio e apelam explicitamente para banhos de sangue, extrapolando-se com a irresponsabilidade para lá do intolerável.

A esses novos anarquistas e promotores do caos, primeiramente, é preciso lembrar o seguinte. Aceite-se ou não, o país entrou num processo irreversível de transição política, depois de José Eduardo dos Santos abdicar de concorrer às últimas eleições que lhe valeriam mais um mandato a que teria direito por prerrogativa constitucional. A chegada de João Lourenço ao poder, mesmo sem o controlo do seu MPLA, mais do que confirmar o início da transição, surpreendeu meio mundo que lhe antecipava subordinação ao partido e ao seu antecessor. Os seus actos de governação também não deixam dúvidas quanto à afirmação do seu poder e da sua capacidade de colocar Angola nos novos carris que ele próprio concebeu. Quaisquer forças que, eventualmente, se tenham predisposto a bloquear as ideia de João Lourenço - já está mais do que claro - estão condenadas ao fracasso. A transição política, com efeitos nas demais áreas da sociedade, com a economia em destaque, é, portanto, inegável. A passagem de mãos do ‘controlo remoto’ que, durante largos anos, serviu de principal argumento contra a longevidade do poder de José Eduardo dos Santos está mais do que efectivada. João Lourenço governa exactamente como entende governar.

Estabelecida a sucessão no Estado, não é minimamente aceitável, pois, que o processo de mudanças no MPLA seja desculpa para se colocar em causa a estabilidade de que o país precisa para o progresso que se deseja construir sobre novos paradigmas. Por maior relevância que tenha sobre a vida do país, a transição no MPLA deve ser relativizada, se em causa estiverem interesses que dizem respeito a todos. A defesa da estabilidade é um exemplo. Condicionar as expectativas de todos os angolanos às divergências intestinas no partido no poder, no novo contexto, não só é inaceitável, como é contraditório. Porque implica necessariamente a aceitação, nesses novos tempos, do MPLA como o partido-Estado. E porque os anarquistas são os mesmos que, volta e meia, se assumem como os arautos da democracia, é preciso, em segundo lugar, que não se esqueçam do seguinte. José Eduardo dos Santos foi eleito presidente do MPLA quase por unanimidade há pouco mais de um ano. Os democratas não se deviam escandalizar, por isso, se o líder do MPLA decidisse levar o seu mandato ao limite. Por fim, não se devem esquecer de outra coisa. O que defendem hoje para João Lourenço é precisamente aquilo que contestavam ontem em José Eduardo dos Santos: a concentração excessiva de poderes, o controlo simultâneo do Estado e do partido no poder, no fundo, o controlo disto tudo.

Last modified on segunda, 19 março 2018
 

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