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Pelos vistos, os governadores do Banco Nacional de Angola gostam de apelar ao patriotismo, quando são confrontados a ceder às evidências. Em 2015, ao identificar os culpados pelas dificuldades no acesso às divisas, o então governador José Pedro de Morais resolveu comprar briga com os bancos, a meio do primeiro e único ano do mandato. Morais acusou, na altura, os bancos comerciais de responsáveis pelo desaparecimento do dólar no circuito formal, insistindo que estes tinham divisas e que não se compreendia o lamento das empresas e das famílias. Os bancos naturalmente ripostaram sempre, devolvendo a bola ao regulador. O clima chegou a atingir alguma tensão, com trocas de acusações públicas. Quem teve de refrear os ânimos teve de ser o próprio governador, reconhecendo, em Agosto desse ano, que o problema não estava nos bancos, mas antes na escassez de recursos em moeda externa, como resultado da crise do petróleo. A esse reconhecimento Morais acresceu o apelo ao patriotismo das famílias e das empresas no sentido de estas ajustarem as suas necessidades à conjuntura. Não resultou.

Agora, foi a vez do novo governador José de Lima Massano. Mal anunciou alterações na política cambial, com a suposta liberalização da taxa de câmbio, Massano foi avisado que, no curto prazo, a medida descompensaria excessivamente alguns equilíbrios desejáveis no plano macroeconómico e social. Não tardou para as consequências virem ao de cima. A ameaça de depreciação do kwanza, com impacto grave na inflação e consequentemente na perda do poder de compra, tornou-se o ‘pão nosso de cada dia’. Os receios de instabilidade social séria, motivados pelo agravamento do empobrecimento das famílias, passaram a ser mais do que fundados. Massano não teve alternativa. Decidiu recuar, com ajustes no regime da taxa, definindo um limite material de 2% como margem dos bancos sobre o valor da aquisição das divisas no mercado primário. Em teoria, o Banco Central volta a retirar dos agentes económicos o ‘livre arbítrio’ na formação do câmbio, o que garante algum controlo administrativo na manutenção de algum valor do kwanza.

Mas as novas mexidas não avançaram, sem antes o governador do BNA lançar um valente apelo ao patriotismo dos agentes económicos. Na análise de Massano, as subidas generalizadas dos preços que ocorreram até ao ano passado foram suficientes para suportar o impacto das actuais depreciações consecutivas do kwanza, pelo que novos aumentos não são aceitáveis. Não é difícil perceber em como essa justificação de Massano passa completamente ao lado do entendimento dos agentes económicos. Em primeiro lugar, porque a interpretação do governador ignora o facto de, em termos agregados, o kwanza ter recuado cerca de 38%, face ao euro, só ao longo do mês de Janeiro. Ao sair de 184 kwanzas por euro, em 29 de Dezembro de 2017, para 253 kwanzas por euro até à última sexta-feira.

Não se trata, portanto, de uma derrapagem qualquer. Em segundo lugar, porque o governador ignora o factor psicológico no comportamento dos agentes económicos. A custa do ‘conforto’ das reservas internacionais líquidas, desde há muitos anos que o kwanza não enfrentava uma ameaça tão avassaladora de derrapagem. Era inevitável o medo de quem vende e o de quem compra. Por isso, tal como ocorreu no passado recente, é muito improvável que o patriotismo fale mais alto.

 

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