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João Lourenço cumpriu a promessa de fazer um Governo menos numeroso, mas a generalidade das opiniões avalia que o Presidente da República foi excessivamente tímido. Cinco ministros e três secretários de Estado a menos não é nada que se possa considerar revolucionário, face à composição do último Governo de José Eduardo dos Santos. E, em relação ao sentimento de alguma decepção, o Presidente da República só se pode queixar de si próprio. Foi a tónica concentrada na redução da estrutura do Estado que elevou as expectativas, no sentido de que, desta vez, o Governo seria significativamente reduzido, em comparação ao histórico. Sobre esta matéria, o discurso do Presidente da República foi, a toda a hora, mais do que pragmático. Esperava-se, portanto, por mais, mas, como se manifestou a generalidade dos observadores “a montanha acabou por parir um rato”.

Neste quadro, há uma variável crucial que não pode deixar de ser referida. Ao que se percebe da composição do novo Executivo, João Lourenço teve mais espaço de manobra para escolher os seus homens, do que as opiniões tentaram sugerir à partida. Se, de alguma maneira, Lourenço ficou condicionado, terá sido mais pelo partido do que propriamente por José Eduardo dos Santos, a figura que alegadamente lhe começaria a fazer sombra, a partir da hora da formatação do primeiro Governo. Não há quaisquer sinais de que o ex-Presidente tenha determinado pessoalmente escolhas. Desde logo, porque dos conhecidos ‘homens do Presidente’ – referimo-nos, claro, aos de José Eduardo – praticamente não sobrou nenhum. Até a especulação sobre a manutenção de Hélder Vieira Dias Júnior na Casa de Segurança, pela estreitíssima ligação que se reconhece dele com José Eduardo, acabou por não se confirmar.

Mas ainda bem que assim foi. O novo Presidente merecia toda a margem de manobra para fazer as suas escolhas. Entre inúmeras explicações, porque era eticamente aconselhável e politicamente necessário. O vigor do discurso de mudança na continuidade só ganharia alguma credibilidade, se, aos olhos da opinião pública, o novo Presidente assumisse, de facto, o leme. É a ele afinal a quem se vai pedir contas no fim de tudo. E não haveria nada mais injusto, se Lourenço tivesse de prestar contas sobre o desempenho de uma equipa que não fosse maioritariamente escolhida por si. Politicamente, é, portanto, também mais responsabilizador.

Tão comprometedor como as respostas que se esperam para o facto de Lourenço ter apostado em alguns nomes de uma geração que deveria estar reformada. Não há nenhuma explicação minimamente razoável para que o conjunto da nova estrutura de Lourenço, incluindo a nível provincial, tenha governantes septuagenários. E, em tese, não se consegue perceber de que forma é que uma mudança positiva, ainda que na continuidade, possa ser promovida, sobretudo, por governantes, para os quais a função de ministro e/ou de governador é qualquer coisa que se confunde com uma carreira profissional. A tudo isso, o novo Presidente deverá dar respostas algum dia. E, porque o benefício da dúvida é inevitável, tomara que ele tenha razão.

 

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