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O mérito de um país e de uma sociedade residirá, também, na capacidade do seu povo de varrer os pedaços do desentendimento para fora do seu quintal e olhar em frente. Não significando necessariamente passividade, mas deverá prevalecer a ideia de que o que nos aguarda como sociedade é bem mais urgente do que as diferenças que, em determinada altura, nos separou.

Amanhã, Angola terá um novo líder no exercício do mais importante cargo de Estado. João Manuel Lourenço será empossado num contexto em que o bom senso, obviamente, aconselharia que fosse diametralmente diferente. A esta altura, estaria o país todo em júbilo e manifesta esperança de que os grandes desafios que se nos apresentam como país são bem merecedores das nossas preocupações do que qualquer outro tópico, seja de que natureza for.

A profunda crise económico-financeira continua a privar milhões de famílias angolanas, não sendo, por isso, demais notar que esse tópico deverá pontuar no topo das prioridades não apenas do novo Executivo, mas também dos legisladores que, até ao final de Setembro, deverão tomar posse. Com o país ainda dependente do seu quase exclusivo produto de troca, o cenário internacional apresenta-se, neste momento, desfavorável e a projecção dos próximos tempos ainda não anima. O preço do crude regista melhorias tímidas. Até poderá passar da timidez e atrever-se a espreitar a fasquia seguinte, mas não é crível que alcance o valor que permitirá ao país algum desafogo a curto ou médio prazo.

Regra geral, os problemas políticos resultam em distracção e é isso que os angolanos quererão evitar. Pelo contrário, desejarão que a união entre as várias frentes seja a nota tónica no momento em que se espera que a renovação do ciclo político traga nova dinâmica e novas abordagens para a solução gradual de problemas estruturantes e transversais.

Não será certamente fácil arquivar pretextos que se acreditem terem razão de existir, sobretudo se esses decorrerem da vontade de milhares ou mesmo milhões de cidadãos. Mas também de estes milhares ou milhões que se espera o entendimento de que problemas diários de sobrevivência, por um lado, e de progresso, por outro, se sobrepõem a reivindicações políticas decorrentes de um processo em que quase é consenso que teve falhas sim, mas deve agora ser superado e servir de exemplo para que amanhã façamos melhor.

É quase certo que as duas principais forças da oposição não se farão presentes da Praça da República para testemunhar o render da guarda, mas regozijemo-nos porque prevaleceu o bom senso e terão os seus militantes a engrossar outra frente indispensável para o processo democrático que temos vindo a erigir e a consolidar nos últimos 25 anos.

Mas o bom exemplo deverá partir também de quem foi declarado vencedor. O princípio de quem vence governa todos, até quem em si não confiou no momento do voto, será crucial para que se garantam abordagens inclusivas e participativas dos problemas políticos, económicos e sociais, sejam eles de alcance nacional, provincial ou mais restrito. Importará que se atenda o cidadão. Sempre.

Na liderança do Executivo e da Assembleia Nacional, será legítimo esperar do MPLA a garantia de que também da Oposição partem propostas válidas e patrióticas; que também ela tem iniciativas legislativas e de governação que o domínio parlamentar não deve menosprezar. Será precisamente aqui que residirá a capacidade da nova classe dirigente angolana de encarar o essencial para que Angola supere problemas e encontre soluções que permitam ao país mover avante.

 

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