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Dentro de uma semana e dois dias, José Eduardo dos Santos deixa definitivamente a Cidade Alta, cedendo a casa ao homem que escolheu para o suceder, o general João Lourenço. Para trás ficam 38 anos à frente dos destinos do país, ainda que na maior parte desse tempo tivesse partilhado o poder real sobre o território, com Jonas Savimbi que, com a sua rebelião, manteve erguido por cerca de duas décadas um verdadeiro estado paralelo. No pós 26 de Setembro de 2017, a história recente do país ficará então formal e definitivamente dividida entre o antes e o depois de José Eduardo dos Santos. E ainda que Dos Santos se mantenha por algum tempo a influenciar a agenda política nacional, sobretudo, pelo cargo que conserva a prazo no seu partido, os laboratórios de História dos séculos XX e XI entrarão finalmente em abolição para estudar e catalogar a vida da figura mais relevante da Angola independente.

É precisamente por isso que não se resume a vida e obra de JES numa edição de jornal, muito menos num conjunto de folhas em livro. Própria de lideranças longevas, a interpretação do legado de José Eduardo vai continuar certamente controversa, a multiplicar e a dividir paixões. E, como é natural, no fim de contas, a balança pendera conforme forem mais ou menos intensos o rigor e a objectividade com a sua obra for julgada.

Da nossa parte, e como já o deixámos claro vezes sem conta, não existem equívocos. José Eduardo dos Santos cometeu erros enquanto líder, mas o conjunto da sua obra é incontestavelmente positivo. Mas afirmar isso, na verdade, é insuficiente. Parte dos erros de governação de José Eduardo só podem ser avaliados no contexto de um país que, aceite-se ou não, carrega uma história sem igual no conjunto dos pares africanos que lhe servem de paralelo. Sem essa contextualização e sem essa perspectiva comparativa racional, não é possível compreender o legado de José Eduardo e, por extensão, a história das últimas quatro décadas do próprio país. Até 2002, as decisões de José Eduardo estavam condicionadas ao factor guerra. É um período em o Presidente da República cessante é praticamente impoluto. Nos seis anos subsequentes ao fim guerra, as opções que tomou em termos de reconstrução são amplamente compreensíveis e só podem ser questionadas, se apresentadas alternativas recusadas verdadeiramente viáveis. Até hoje ninguém foi capaz de as mostrar. O período compreensivelmente mais questionável é o que se segue às eleições de 2008 e que se estende até ao ano da sua retirada. Foi, de resto, neste período em que se adensaram as insuficiências graves de governação, pontuadas sobretudo com altos índices de corrupção e má gestão do erário. Mas José Eduardo nunca deu costas a essas críticas. Assumiu-se ele próprio várias vezes como o maior crítico interno do seu partido, em relação ao conjunto das falhas na governação. E, à sua saída voluntária, delegou o poder a um general influente no MPLA que assumiu precisamente o combate aos cancros da governação como prioridade absoluta. Contas feitas, se a história lhe fizer justiça, José Eduardo dos Santos terá de ser efectivamente lembrado, sobretudo, como o patriota pacificador.

 

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