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Na noite de 24 de Agosto, influentes meios de comunicação internacionais faziam raras referências elogiosas sobre Angola. A realização de eleições pacíficas no país da África Austral rico em petróleo, que procediam uma campanha eleitoral também sem incidentes de monta, dominavam as notícias de canais de televisão, rádios e jornais um pouco por todo o mundo.

E havia um motivo para tal. A acalmia que se verificava às primeiras horas desse dia demonstrara a determinação de milhões de angolanos pelo civismo e bom senso.

O ambiente de claro pacifismo continuou até à hora do fecho oficial das urnas, sem que se reportassem incidentes decorrentes de ânimos e emoções mal dominados. Propensa, por definição, em destacar aspectos negativos num continente em que processos eleitorais acabam, bastas vezes, em sublevações e jorrar de sangue, a grande mídia ia destacando o positivo da votação nas suas actualizações noticiosas, enquanto conjeturava sobre os possíveis resultados e a certeza de que a votação marcava o fim da era de José Eduardo dos Santos.

O início da noite reconfirmou o bom comportamento popular, mas marcou também o início de uma espera angustiante, uma vez que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) decidiu começar a divulgar os resultados provisórios mais de 24 após o encerramento das urnas.

Como era expectável, os primeiros resultados trouxeram contentamento para alguns e manifestações de desagrado para outros tantos. Os números expressivos com que o MPLA e o seu candidato levavam de vantagem a oposição foi motivo bastante para a contestação em bloco.

A Oposição e um conjunto de comissários da CNE demarcaram-se dos resultados. Estava instaurada a névoa sobre o processo eleitoral versão 2017. Era o desenrolar de um episódio há muito anunciado, o confirmar de declarações, apelos, ameaças e advertências de que a lisura do mesmo estava em causa por isto e por aquilo.

Chamemos às contestações a crise das actas, sendo de lamentar que 2017 confirma a triste tendência dos pleitos angolanos que remonta de há 25 anos.

Foi assim em 1992, assistiu-se ao mesmo em 2008, confirmou-se a tendência quatro anos depois e aqui vamos nós, confirmando tantos déjà-vus quanto a ciência pode explicar. Não nos caberá a nós apontar o dedo, mas assiste-nos, certamente, o direito e o dever de apelar ao bom senso de parte a parte em que prevaleça o diálogo entre a CNE e a oposição.

Ora, se o órgão reitor está seguro de que os resultados anunciados correspondem ao que os eleitores depositaram nas mais de 25 mil urnas por este país, que se cruzem com as actas em posse da oposição e se providencie à esta toda a informação possível e razoável. Simples assim.

De que valerá ao país – e não ao ego político de organizações – arrastar a crise pós-eleitoral para um cenário em que prevalecem as desconfianças e um difuso ´sentido de Estado´, assente este numa postura taciturna e carrancuda de não esclarecimento? Que se entendam os homens.

Que se converse e se chegue a consensos. Que resolvam e façam a vossa parte, em prol da democracia e da imagem e reputação do país já chamuscada, mas, acima de tudo, do respeito por milhões de angolanos e angolanas disciplinados que souberam cumprir a sua parte de forma magistral. Que se respeite o soberano.

 

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