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A trajectória de construção da democracia, em Angola, acumula um preço pesado. Um custo económico, mas sobretudo político e social. Mas este ónus não é exclusivo do processo angolano. Nos registos da história dos nossos tempos, não há memória de casos em que a fase inicial da implantação do pluralismo tenha ocorrido apenas com beijos e abraços. Das Américas à Europa. E da Ásia a África. Houve sempre um custo que, invariavelmente, incluiu o lado mais negro da disputa pelo poder: as guerras. E, consequentemente, a perda de incalculáveis vidas humanas.

Angola já passou por tudo isso. Depois da tentativa falhada de 1992, com o subsequente retorno a guerra, a paz teria de surgir. Para trás ficou o custo até hoje incalculado, porque, em rigor, não há como estimar o preço de centenas de milhares de vidas humanas. Mas também de infra-estruturas económicas e sociais. Para nós, este foi o preço da democracia.

Mas, hoje, a dois dias do quarto acto eleitoral na história do país, interessa, sobretudo, olhar para frente. E perspectivar o futuro implica, em primeira instância, responsabilizar os políticos. A começar pela necessária garantia da estabilidade no ‘day after’. O que se espera, no momento imediato às eleições, é que Angola prossiga. A sorte do país não pode voltar a ser ditada num acto eleitoral. O que é desejável é que o discurso da vitória dos angolanos não seja apenas uma retórica de campanha. O reconhecimento dos resultados por parte dos candidatos será, portanto, fundamental.

As irregularidades que ocorreram ao longo da campanha são inegáveis. Mas, como admite a opinião geral, salvo a famigerada cobertura desproporcional dos órgãos públicos a favor do partido no poder, o conjunto dos incidentes não vai ao ponto de afectar globalmente o processo. O passivo da campanha não deve servir, portanto, como argumento suficiente para uma eventual contestação dos resultados. Como dizíamos noutra oportunidade, a defesa da estabilidade implica a recusa da contestação irresponsável e infundada. Mas também o repúdio da batota descarada. A explicação é simples e leva-nos de volta ao histórico.

Nas contas da população, o preço da democracia, depois dos últimos dois processos, jamais poderá incluir a banalização da vida, muito menos o retrocesso económico e social. Afinal, o país está acima de qualquer partido e de qualquer candidato.

O que falta é o apelo ao voto. Os órgãos de comunicação social não são alheios ao processo eleitoral. Em princípio devem tomar partido a favor dos eleitores. Por isso, aqui fica também o nosso apelo. No dia 23 que todos se dirijam às urnas eleitorais. Porque é sempre mais confortável e legítimo reclamarmos contra um processo do qual não nos desfizemos por vontade própria.

 

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