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Raras vezes se aborda a evolução da política interna, e particularmente a complexidade de processos eleitorais em realidades como a nossa, com a frieza, conhecimento e elevação com que o faz o antigo director do Instituto Eleitoral da África Austral. A entrevista de Augusto Santana, nesta edição do VALOR, especialmente pelo contexto, é de leitura obrigatória. É, sobretudo, uma verdadeira lição de serenidade e de realismo, enquanto as dispersas e equivocadas vozes de circunstância reclamam o monopólio da verdade sobre os acertos e os erros históricos no processo de construção da democracia. As ideias-chave de Santana são esclarecedoras, ao relembrarem os enganos do triunfalismo partidarista na construção do Estado. Desde logo, porque ninguém é dono e senhor da verdade. E porque, em matéria de democracia, ninguém (particularmente os autores político-partidários) pode afirmar, sem demência, que está à beira da maturidade. Há um inquestionável processo de aprendizagem que ainda se calcula mais ou menos demorado, dependendo, claro, da vontade das lideranças e da sociedade, por extenso.

Mas engana-se, desde já, quem confunde a opção pela reflexão realista com uma espécie de passividade, conivente do situacionismo. O racional pode detrás da serenidade é outro. Passa, essencialmente, por lembrar, neste afã eleitoralista, que todos são partícipes da construção e, de certa forma, responsáveis pelo passado, pelo presente e pelo futuro que nos espera.

Veja-se o exemplo da controvérsia em relação ao financiamento dos partidos políticos para efeitos eleitorais. A crise da democracia que se reconhece hoje pelo mundo significou, sobretudo, a crise dos sistemas políticos, assentes nos modelos de partidos tradicionais. O que, no nosso caso, à semelhança do resto do mudo, como o assinala também assertivamente Augusto Santana, passou a significar o questionamento da legitimidade dos partidos políticos em reclamarem recursos públicos de forma geral e, em particular, para efeitos eleitorais. Numa oportunidade diferente, já antecipávamos aliás que o tema, mais cedo do que tarde, entraria na agenda da discussão pública. Especialmente quando aparecem partidos com propostas que, de tão absurdas, atentam contra a paciência e a inteligência colectivas. No fundo, o que antecipávamos era uma espécie de contenda entre os partidos que, via de regra, reclamam a exiguidade dos recursos do Estado que lhes são destinados para as eleições e a sociedade que entenderia que os partidos políticos já não são suficientemente representativos dos seus interesses, para continuarem a merecer dinheiros públicos.

E de dinheiros públicos não paramos por aqui. A Sonangol antecipou, na última semana, para hoje, segunda-feira, 3, a apresentação dos resultados do exercício de 2016. E, ao contrário do ano anterior em que as expectativas se centraram na estreia da nova administração na apresentação dos números da empresa, desta vez os olhos estão virados para os primeiros resultados consolidados da Era Isabel dos Santos, depois de um conjunto de reformas que foi sendo anunciado no último ano. Uma coisa, desde já, é certa: com a conjuntura do petróleo como a temos registado no último ano, uma garantia de que a Sonangol não exigirá do Estado um esforço orçamental complementar já seria uma notícia menos má.

 

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