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À entrada do último mês do primeiro trimestre, ainda estamos em tempo de fazer contas sobre as perspectivas de 2017. Projeções, diga-se, que continuam sombreadas por uma nuvem gigante de incertezas. Mais na economia do que na política, apesar da incontestável interdependência entre ambas. Em termos formais, as grandes ansiedades, na esfera política, estão refreadas. Porque, mais do que os resultados das eleições de Agosto, o esclarecimento preliminar do ano político passava pelo esclarecimento definitivo da posição de José Eduardo dos Santos. Feito o anúncio irrevogável da sua ausência nas eleições, o que resta é a gestão do processo de sucessão e de transição política que tem agora na passagem de pastas a João Lourenço o momento mais esperado.

Na economia, fazem-se, no entanto, outras contas, com outras dúvidas. Por um lado, o relativo optimismo, feito de uma dose de expectativas. A expectativa de que o petróleo mantenha a tendência que traz do ano passado de preços confortavelmente acima da referência fiscal inscrita no Orçamento Geral do Estado (OGE). A promessa de que a incursão do Banco Nacional de Angola (BNA) pela Europa e pelos Estados Unidos devolva alguma confiança no regulador e no sistema financeiro angolanos, permitindo a normalização da relação da banca com as instituições que ditam as regras universais. A previsão da concretização do investimento público, muito acima dos resultados do ano passado, à mercê da recuperação do petróleo e de uma disponibilidade maior dos empréstimos externos, como ficou provado com as últimas corridas à China do ministro das Finanças, onde reconfirmou mais sete mil milhões de dólares. Investimento público que é, nesta fase, indiscutivelmente crucial para a atracção do investimento privado local e estrangeiro, enquanto garante da construção e recuperação de infra-estruturas.

Por outro lado, o cepticismo alimentado por um sem-números de metas oficiais potencialmente irrealistas. Frontal e cáustico, o economista Victor Hugo aponta algumas, com particular clareza, na entrevista que faz manchete esta semana. Duvida do objectivo do Governo, quanto ao recuo da inflação para a casa dos 15%, depois de ter fechado o 2016 nos 40%. A justificação é o previsível impacto da esperada desvalorização do kwanza (que também questiona) nos preços e nos rendimentos. Questiona o compromisso do Governo com a realização da despesa pública, apesar da recuperação do petróleo. A explicação é o elevado ‘stock’ da dívida pública, acumulado especialmente nos últimos dois anos e que sujeita o Governo a pesadas despesas com o serviço da dívida. Critica práticas da banca nacional, que vê como um cartel e cuja actuação errónea condiciona, em grande medida, o reconhecimento do BNA, como um regulador idóneo. Atira-se contra a política fiscal, que se prevê venha a apertar a tributação do consumo, por considerá-la desproporcional à estrutura e à conjuntura económicas e aos rendimentos médios dos trabalhadores.

No fundo, entre os receios que fomentam o cepticismo e as expectativas que sustentam o optimismo resta a ausência de certezas que, só no fim de contas, serão apuradas.

 

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