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É impossível sintetizar o legado de José Eduardo dos Santos numa edição de jornal. Ainda que a história se circunscreva no período de liderança do país que chega ao fim, após a tomada de posse do próximo Presidente da República. Afinal, 38 anos não são 38 dias. Afinal, está em causa um homem que governou o país nas suas fases mais complicadas do percurso pós-colonial. Liderou, gerindo tudo e mais alguma coisa que se podia registar na governação de um país africano no século XX e nas primeiras décadas do século XXI. Enfrentou uma rebelião armada com várias tentativas fracassadas de aproximação pelo diálogo; estabeleceu alianças militares externas que o ajudaram a combater o ‘inimigo’ interno; enfrentou e cortou os tentáculos do intervencionismo que ameaçou, várias vezes, a integridade do território; estendeu a influência geopolítica do país no contexto africano; acabou com a guerra e, consequentemente, fez paz, poupando a vida aos adversários; lançou um processo de reconciliação nacional; arrojou as bases para a construção de uma economia moderna e, finalmente, conduz a transição política e geracional do MPLA e do país de forma controlada e serena, mitigando todos os argumentos de contestação dentro do seu partido. Todavia, e porque ‘não há bela sem senão’, enfrenta críticas. Nas matérias político-económicas, destaca-se a incapacidade do controlo da corrupção, que ditou o desvio de recursos públicos incalculáveis e que condicionou a partilha justa dos rendimentos e a transformação mais acelerada do crescimento em desenvolvimento. No campo sociopolítico, sobressai a dificuldade de instauração mais efectiva de alguns direitos civis, nomeadamente os relacionados com a liberdade de expressão. Mas os defensores de José Eduardo dos Santos evocam frequentemente a prolongada guerra que levou a sua liderança a cometer erros de iniciação, próprios de um país a erguer-se das cinzas. Tudo isso faz da história de José Eduardo dos Santos uma história sem paralelo, no conjunto dos registos dos líderes das últimas quatro décadas. Ao decidir abandonar o poder por vontade própria, apesar da legitimidade constitucional e política para um novo mandato, José Eduardo dos Santos reescreve o último capítulo da sua trajectória de liderança de Angola. Essencialmente, porque põe em xeque a integridade das críticas que lhe apontavam um apego desmesurado ao poder, além de desfazer em absoluto a narrativa que lhe atribuía total interesse por uma sucessão dinástica. Mas a escolha de José Eduardo dos Santos para a sua sucessão é ainda mais reveladora sobre a perspectiva com que olha para o país no contexto imediato, mas também a prazo. Ao optar por uma figura afastada dos círculos frequentemente associados à alta corrupção, o líder do MPLA sinaliza que deseja uma viragem do ‘modus operandi’ da classe política afecta à gestão dos recursos do Estado.

É esta viragem que há-de permitir, por exemplo, que o próximo Plano Nacional de Desenvolvimento, descontados os imprevistos conjunturais e assumindo que o MPLA mantenha o poder, tenha possibilidades mais efectivas de sucesso do que este que está em execução e que passa pelo Observatório do VALOR esta semana. E sobre isso vale a pena outra referência, mais uma vez, sobre a opção de agentes do Governo que se furtam de prestar informação útil aos jornais. O que acontecerá necessariamente é que haverá sempre quem fale por eles, ainda que sem conhecimento de causa.

 

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