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Com o novo ano a marcar os primeiros passos, apenas um facto pode ser antecipável com certeza matemática no conjunto da agenda útil de 2017: a realização das eleições gerais no segundo semestre. Sem histerias futuristas, só uma catástrofe inimaginável impediria a concretização da disputa eleitoral, já embebida em algum mistério pela (in)decisão de José Eduardo dos Santos de declinar a posição de cabeça de lista do partido no poder. O resto do processo político relevante, ainda que pintado de disputas por opções político-legislativas divergentes, está suficientemente assegurado. O abandono do projecto de alteração da Lei Geral da Eleições, aprovada em 2011, assinalou um raríssimo consenso entre o MPLA e a UNITA que refreou os ânimos de todas as bancadas no Parlamento, não obstante os votos em contrário da CASA-CE e do PRS. As divergências entre poder e oposição, face à distribuição de competências entre o Governo e a Comissão Nacional Eleitoral, no âmbito do registo eleitoral, não devem precipitar também qualquer abanão significativo ao ambiente pré-eleitoral. E não há melhor prova disso do que os apelos sucessivos das principais lideranças na oposição à população adulta para a adesão em massa ao registo eleitoral. Pior incongruência do que conspirar contra o registo eleitoral, nesta fase, seria ouvir um Samakuva ou um Chivukuvuku a elogiar efusivamente a governação de José Eduardo dos Santos, o que é mais do que improvável. Por isso, a partir de hoje, podemos escrever, com segurança, que as condições políticas para as eleições deste ano estão asseguradas. Com mais ou menos insultos, com mais ou menos tensão, o que se seguirá é o natural jogo político, incontornável nas disputas de poder, especialmente em contextos, como o nosso. Contextos em que um dos lados da contenda anseia pelo poder há décadas, como quem, abandonado no deserto, clama por água.

Diferente dos factos mais palpáveis na política, na economia, as incertezas, entretanto, abundam. E, como não podia ser diferente, o comportamento do preço do petróleo coloca-se incontornavelmente como o factor decisivo. Os sinais de recuperação nos últimos dois meses, precipitados pelo acordo entre os membros da OPEP, no sentido do corte na produção em 1,1 milhões de barris por dia, são excessivamente recentes para oferecem garantias estáveis e prolongadas ao longo do ano. Outra incógnita destacável são indiscutivelmente os resultados que se esperam da ‘campanha’ do BNA pelos palcos dos reguladores europeus para a credibilização do sistema financeiro nacional. Se é verdade que a equipa de Valter Filipe espalha entusiasmo e confiança, à volta de uma provável mudança de percepção da banca angolana pelos europeus, não é menos verdadeiro que esse trabalho depende também da capacidade dos operadores angolanos de se adaptarem às regras e de cumprirem exigências. E sobre esse processo de ajustamentos a nível da banca, vitais à credibilização do sistema financeiro, é de que menos se sabe. Não se sabe até que ponto já atingiu a vassoura de Valter Filipe para limpar um sistema que, alguma vez, a própria governação do BNA chamou de “promíscuo”. O que todos sabemos, como certeza, é que uma avaliação positiva dos europeus começaria por ser uma lufada de ar fresco até sobre a crise cambial que continua a triturar o Estado, as empresas e as famílias.

 

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