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Quer um exemplo categórico sobre a razão por que o optimismo do discurso oficial contrasta, de forma inquestionável, com o sentimento dos investidores? A edição desta semana é particularmente explícita. De ponta a ponta, há testemunhos e queixas de investidores e de empresários que sentem os efeitos da crise, além da pele. Investidores de todos os tamanhos. Desde os mais pequenos, como uma empresa de produção de concentrado de proteico, no Cazenga, em Luanda, que ameaça despedir os 20 trabalhadores, por falta de divisas, a gigantes nacionais como a Ensa, que admite que a escassez de cambias está a dificultar a cobrança de seguros. Ou ainda a gigantes mundiais, como a Maersk Line, que antecipa uma quebra nas receitas na ordem dos 18%. Mas, neste rol de sentimentos relutantes ao optimismo oficial, ainda podemos juntar os sinais que chegam do mercado de comercialização de automóveis em que se calcula um recuo nas vendas globais a roçar os 59%. Os exemplos que configuram esta atmosfera de perdas e quedas podem incluir também os números que apontam uma queda significativa nas trocas comerciais entre Angola e os seus parceiros da SADC. E porque não uma referência ao Banco Económico que, mais de dois anos após a sua criação, por força da liquidação do BESA, não apresenta quaisquer resultados, deixando o mercado completamente às escuras em relação a uma instituição com relevância histórica no sector?

É claro que resumir tudo isso na esfera dos sentimentos seria um exercício excessivamente simpático para não dizer eufemístico. O que está em causa ultrapassa, sobremaneira, o universo dos sentimentos. Quem, no dia-a-dia, se confronta com a possibilidade de despedir trabalhadores em massa, no mínimo, lida com verdadeiros dramas sociais. Quem, no terreno, vive diariamente o risco de encerrar uma linha de produção ou uma unidade fabril completa não percebe, de certeza, os sedativos que as vozes oficiais tentam aplicar na percepção geral que se tem da crise económica e cambial e dos seus efeitos. Repetidas vezes, ouvem-se membros do Governo a lançar foguetes sobre o fim da crise, nos termos em que a literatura técnica a concebe. Mas a quem isso interessa verdadeiramente, quando, grosso modo, as dificuldades de importação de bens essenciais e de serviços se mantém, nos níveis de 2015? Quando há projectos estruturantes e em áreas definidas pelo próprio Governo como prioritárias que não avançam do ponto em que estagnaram desde meados de 2014. Quando são anunciados projectos que, em termos práticos, não passam disso mesmo por impossibilidade de compras ao exterior e pela quase inexistência de opções de financiamento internas.

Exemplos mais afirmativos para a percepção dos contrastes é quase impossível. Mas, no fundo, o que separa aqui o optimismo do cepticismo não é a percepção diferenciada da realidade entre o Governo e o resto. Toda a gente faz a mesma ideia do que se passa. A diferença é o recurso ao eufemismo que serve bem a aflição de que, a todo o custo, se sente na obrigação de tapar o sol com a peneira.

 

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