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O comunicado final da reunião do Comité Central do MPLA, na última sexta-feira, não mencionou a sucessão de José Eduardo dos Santos, dentro do MPLA, na corrida às eleições de 2017. Mas essa omissão não alterou o sentido de toda a informação e da análise sobre as mudanças que se projectam no partido, por vontade expressa de José Eduardo dos Santos. A perspectiva da indicação definitiva de João Lourenço e de Bornito de Sousa para as primeiras duas posições da lista do partido que vai a votos mantém-se. O VALOR ouviu várias vozes destacadas do partido que a confirmam, mas ao mesmo que remetem a decisão final para um pronunciamento das estruturas de base do partido.

O raciocínio por detrás das correntes que apelam à permanência de José Eduardo dos Santos levanta um problema lógico para o presidente do MPLA.

José Eduardo dos Santos renovou a liderança incontestável no partido há menos de quatro meses. Foram expressivos 99,6% dos delegados ao Congresso que declararam apoio à continuidade. E, olhando para o contexto de vizinhança de eleições gerais em que o Congresso do MPLA decorreu, é razoável assumir que o sentido de voto no conclave sinalizou a vontade dos militantes de verem José Eduardo dos Santos como cabeça de lista no partido às eleições de 2017. Não é difícil, por isso, perceber a crítica mordaz que chegou de um proeminente militante do MPLA. Aquela segundo a qual a desistência de José Eduardo dos Santos, depois de vencer o Congresso, soaria a uma traição para as correntes que lhe renovaram confiança.

É possível colocar a análise noutra perspectiva para se aferir, de forma completa, a frustração dos defensores da continuidade. O vice-presidente proposto para cabeça de lista não reuniria tamanho consenso no Congresso, ainda que concorresse no partido com o apoio expresso de José Eduardo dos Santos. É esse o já referido problema lógico que se coloca ao líder dos ‘camaradas’. Mas não é o único. Vista na perspectiva da concorrência político-partidária, no quadro das eleições do próximo ano, a saída de José Eduardo dos Santos fragiliza em toda a linha o MPLA. Os factos são irrefutáveis e todos se entrecruzam com o factor tempo. A sucessão presidencial, confirmando-se agora, significaria que não se tratou de um projecto suficientemente amadurecido. Por razões óbvias, um partido que contabiliza quase quatro décadas da mesma liderança precisaria necessariamente de uma transição mais folgada, em matéria de tempo. Tanto mais porque está em causa o mesmo partido que comanda o país desde a sua existência como Estado independente, ainda que tenha partilhado a gestão do território por quase três décadas, por conta da guerra.

Aqui chegados, voltamos à omissão do comunicado do Comité Central, saído da reunião de sexta-feira. Até o MPLA divulgar oficialmente os nomes de João Lourenço e Bornito de Sousa é pacífico relativizar as ansiedades. Afinal, em política, dois mais dois nem sempre é igual a quatro.

 

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