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O jornalista está na vanguarda da sociedade. Ele é o radar, o sonar... Ele funciona como os poros, que vai percebendo as coisas todas . E se ele não tem essa sensibilidade e não sente aquele mínimo de responsabilidade, ele pode escrever bem, ele pode ser um grande jornalista, mas ele descumpre, ele não atende algumas das atribuições que ele tem de ter.” Esta aula, transcrita na íntegra, sobre o papel social do jornalista, é do conceituadíssimo jornalista e professor brasileiro Alberto Dines, a qual subescrevemos de ponta a ponta. Uma interpretação livre da citação sugere, no limite, que é impossível existir jornalismo fora dos marcos delimitados por Dines. A própria legitimidade putativa que a sociedade reconhece nos jornalistas e, por extensão, nos órgãos de comunicação social decorre única e exclusivamente da confiança de que o exercício de intermediação jornalística ocorre na observância escrupulosa das palavras de Dines. É desta forma, em tese, que os propalados rigor e imparcialidade jornalísticos saltam da teoria e ganham corpo na prática, em forma de palavras orais e escritas. E é precisamente por isso que os jornais verdadeiramente sérios se penitenciam quando, por erros involuntários decorrentes da falibilidade humana, violam o rigor e levam os leitores ao engano absoluto. E quem fala de jornais (ou seja, de órgãos de comunicação social) fala dos outros actores sociais que, através da palavra, influenciam, de forma diferenciada, a opinião pública, nomeadamente os comentadores e analistas.

Acontece que, em Angola, por uma infinidade de factores que incluem uma atenção não prioritária à qualidade do trabalho jornalístico, os erros inconscientes dos jornais, a ignorância dos jornalistas e de comentadores e até a manipulação gratuita de analistas, sob a capa de opiniões técnicas, ganham espaço e imperam de forma impune. Os exemplos abundam.

Os enganos propalados, há algum tempo, por alguma media sobre o papel do Fundo Soberano de Angola (FSDEA) é um dos casos paradigmáticos. Quando, há dois anos, se tornou evidente que o Estado precisaria de fontes alternativas de recursos financeiros, pela queda das receitas ordinárias do Tesouro, por efeito da crise do petróleo, houve jornais, jornalistas e comentadores reconhecidos que exigiram a intervenção do Fundo Soberano em socorro do Orçamento. O não-argumento assentava na ideia comum de que o Fundo tinha sido concebido precisamente para acudir o Estado em situações adversas. O problema é que os tais fazedores de opinião, talvez por displicência, talvez por ignorância, esqueceram-se de duas condicionantes fatais. A primeira é o facto de o Fundo Soberano de Angola ter sido criado, a partida, com vocação para a capitalização e não para a estabilização orçamental. Assumindo, entretanto, que esse facto não seja suficientemente impeditivo em situações extremas, é-o seguramente o outro: o Fundo mal tinha recebido, na totalidade, a dotação inicial dos cinco mil milhões de dólares, quando o petróleo começou a quedar em meados de 2014. A pergunta básica que os tais detentores de opinião se deviam fazer é onde o Fundo encontraria os recursos para acudir o Estado. A menos, claro, que considerassem a sua descapitalização! Não esclareceram.

Até houve quem encontrasse uma oportunidade para se penitenciar e corrigir enganos, mas, porque o fez de forma engenhosa, a auto-correcção passou ao lado de muita e gente e muitas inverdades cristalizaram-se. Alberto Dines diria, seguramente, “haja coerência!”

 

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