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MÚSICA. Yannick Afroman lança o 3.º álbum de originais ‘Outros Mundos’ a 23 de Dezembro. Garante que o que canta está “distante de criar distúrbios, mas sim de ajudar a construir uma Angola melhor”. Aconselha a juventude a cantar com mensagens mais construtivas em vez de só promover festas e roupas.

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O que tem de diferente o novo álbum?

O Yannick de sempre com a mesma identidade, mas com alguma diversificação, com temas de amor como nunca ouvidos nos álbuns anteriores. Pretendo internacionalizar, mas se for falar da nossa energia que falha a toda hora, eles não se identificam. Tive participações de Carlos Burity, Ary, Nagrelha, Anselmo Ralph, Telma Lee, Socorro, Loreta, Kyaku Kyadaff, Piploy Pipas, Sam Mangwana, Ferre Gola, Dengaz e Cef.

Sente que se põe em prática o que se ouve nas músicas?

Sinto mudança. O país está a mudar em todos os sectores, apesar de haver alguma resistência. Esse esforço não é só de minha parte. Mudança não se espera, mudança faz-se. Não tenho como mudar o mundo, mas, se consigo mudar três, quatro pessoas, já é muito! A minha preocupação é sempre reclamar, elogiar o que está bem e criticar o que está mal para se encontrar melhorias.

A resistência é do Estado?

O maior problema que temos na resistência não é o Governo. Fiz uma música ‘Essa crise vai nos matar’, mas foi só uma pessoa medrosa que achou que não devia cantar, porque estávamos no tempo das eleições.

O Estado deve fazer mais?

Na música ‘Loucos’, digo: ‘temos muita vontade, mas pouca seriedade’. Todos falamos da mudança, mas poucos querem mudar, estamos no conforto. Não queremos pagar a luz, não queremos assumir as multas, mas andamos sem cinto de segurança. O novo é sempre assim, mas depois adaptamo-nos. Falo muito isso por causa da minha forma física, não gostava de cinto, mas é um exercício que tenho de fazer se não quiser ter multas. Para a mudança, o Governo deve fazer um bocadinho mais do que nós.

Alguma vez sentiu medo?

Não! Quando comecei era um desabafo, já fui muito mais radical. Depois senti que as músicas sofriam boicotes. Procurei outros métodos e trocava coisas básicas. A sabedoria só é sabedoria quando é partilhada. Moderei a linguagem, por exemplo, em vez de dizer “Ende ou Epal trabalham mal”, dizia “Ou não a água deu o go” e as pessoas entendiam. A intenção não é criar distúrbios é mesmo ajudar. O Governo se ouvir as músicas consegue ter noção do que se passa nas periferias, porque tem sítios que eles não vão.

Impôs-se no mercado, com um estilo considerado dos marginais…

Não foi fácil, principalmente para nós, fazedores de rap, num país onde o kuduro, semba e a kizomba têm a liderança. Um rapper para se impor, numa era onde os rappers cantam mais de festas e roupas, não é fácil.

Qual é o actual estado da música?

A nossa música cresceu muito a nível nacional e internacional. Lembro-me da época em que éramos tidos como bandidos e malucos e, hoje tornou-se febre, todos querem cantar. Estou muito feliz, porque foi uma luta, até com a família. Mas o Governo devia apostar mais em nós.

De que forma?

Levo tanto tempo a lançar um álbum em condições e aparece alguém que canta ‘da comichão, da comichão’ e a música torna-se um sucesso. É lógico que depois aparece algum a seguir com ‘do piolho, do piolho’. Aqui, poucos inventam. Os novos que vão vir só seguem a onda. Se o Governo adoptar uma estratégia de as músicas que transmitem mensagens construtivas, pôr a outro nível, é lógico que as pessoas vão seguir o exemplo.

Como está o seu estado financeiro?

Não sou rico. Se calhar, não temos músicos ricos. É fácil ver artistas que, quando estão no auge, conseguem ter algum dinheiro, casa e carros bonitos. Há certos músicos que têm máquinas por detrás da sua produção, são apoiados com amor. Noutros países quando um músico de distinção vai vender o seu álbum, é destaque nas maiores revistas, mas aqui não é assim, porque preferem ficar na mesmice. Não tenho muito dinheiro, mas tenho condições para viver, não falta combustível nem para pagar impostos.

Acha que a nossa sociedade está mais violenta?

Tornou-se numa febre maligna. Tudo para nós hoje é normal. Antes não se admitia conquistarmos a mulher do nosso amigo, seguir um gatuno e até casar com o bandido. Mas hoje encaramos as coisas com naturalidade, porque procuramos protagonismo. Depois acontecem traições, violações e agressões. A fome e o desemprego também obrigam a situações menos boas. Há ‘n’ factores. Tem de haver mais honestidade, empregos e transparência.

Já se sentiu descriminados por ser gordo?

O mundo é bonito por cada um ser diferente. Sinto-me bem assim e quando achar que estou mal, há mecanismos para arranjar soluções. Tenho auto-estima. Poucos me chamam de gordo ou coisa parecida, se o fazem, fazem-no às escondidas. Sei quem sou e não muda nada.

Aceitaria ser deputado?

Politica não é a minha praia, não me diz nada. O que é que um político faz?

PERFIL

Yannick Manuel Ngombo, natural do Uíge, músico e compositor, adoptou o nome Afroman depois de superar o complexo de inferioridade que tinha quando chegou à Europa. Foi conside-rado o melhor rapper em 2001/2003 e 2009 e o 1.º a alcançar o pódio do Top dos Mais Queridos – 2.º classificado em 2009. Tem gravado os álbuns ‘Mentalidade’, ‘Terra a Terra’ e a 23 de Dezembro venda e autografa ‘Outros Mundos’, na Praça da Independência, em Luanda.

 

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