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GALARDÃO. Viriato da Cruz, um dos principais ideólogos do MPLA, foi premiado com o mais alto galardão cultural de Angola, 45 anos depois da sua morte. Waldemar Bastos, Fidel Reis, António Dias dos Santos, Misael Almeida, Jaka Jamba, Sakaneno João de Deus, grupo teatral Ngwizane Txikane, o programa televisivo da Huíla ‘Tudo e Mais’ e os Bakamas de Cabinda são os vencedores de 2018.

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Um dos fundadores do MPLA, Viriato da Cruz, e o ex-dirigente da Unita Jaka Jamba foram, ambos a título póstumo, alguns dos galardoados, este ano, com o Prémio de Cultura e Artes, uma distinção do Ministério da Cultura. O prémio distingue figuras maiores da literatura, artes plásticas, dança, música, teatro, cinema e audiovisuais, investigação em ciências humanas e sociais, festividades culturais populares e jornalismo cultural.

Literatura

Viriato da Cruz foi distinguido, justificou o júri, por ser um “digno” representante da cultura nacional que exalta com “profundidade” a identidade e os valores da angolanidade e manifesta a esperança de se reviverem hábitos e costumes locais num processo “apaixonado” para a valorização da nação angolana. Além de escritor, foi um dos principais ideólogos do MPLA, fundou o Partido Comunista de Angola e acabou por morrer, no exílio, na China em 1973. Divergiu do MPLA e nunca foi homenageado por Angola. Foi um dos mais importantes impulsionadores da poesia angolana nas décadas de 1940 e 1950, ajudando a criar o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (1948) e a revista Mensagem (1951-1952). Nasceu em Porto Amboim, Kwanza-Sul, e se fosse vivo completaria 90 anos.

Música

Waldemar Bastos recebeu a notícia de ter sido distinguido em Los Angeles, nos EUA, em vésperas de mais um concerto. A coincidência deu razão ao júri que justificou o prémio pelas suas “composições e interpretações incidirem sobre a música revolucionária, popular urbana e clássica de dimensão nacional e internacional”. Waldemar Bastos, de 64 anos, nasceu em M’Banza Kongo, Zaire, é o maior ‘embaixador’ da música angolana. Venceu o prémio da ‘World Music’, o jornal New York Times classificou o álbum ‘Black Light’ como o melhor álbum de 1999, gravou um disco com a Royal Orchestra de Londres e outro com David Byrne.

Menção Honrosa

A título póstumo, o Ministério da Cultura distinguiu Jaka Jamba, professor e ex-dirigente da Unita, falecido este ano. Ligado à cultura, foi deputado e ministro no ‘governo-sombra’ da Unita. Foi membro da Academia Angolana de Letras, natural do Huambo, tem publicações, conferências e palestras estudos e comunicações sobre Filosofia, Cultura, Património Cultural e Línguas africanas em Angola, entre outras publicações.

Em cinema e audiovisuais

Também a título póstumo, foi distinguido o realizador Misael Almeida, um profissional que se destacou no género documentário pelo conjunto da sua obra, com gravuras e pinturas de tchitudu hulo, Efico-ritual da puberdade da mulher muila.

Ciências sociais e humanas

O júri atribuiu o prémio ao historiador Fidel Reis, pela obra ‘Era uma vez, o campo político angolano (1950-1965)’. que se contextualiza a nível regional e internacional. Historiador, doutorou-se em Portugal, no ISCTE – Universidade de Lisboa, defendendo a tese ‘Contributo para o estudo das relações raciais em Angola’.

Dança

Sakaneno João de Deus, professor, recebeu do júri a justificação de “ter levado com alma dedicação, humildade, sacrifício e competência o processo de profissionalização da arte da dança angolana. Natural do Uíge, passou a viver em Luanda a partir de 1978. Foi director da Academia de Dança entre 1989 e 2003. Liderou o grupo ‘Amador de Dança’, apontado pelo Ministério da Cultura para representar o país em eventos internacionais. Mais tarde, o ‘Experimental de Dança’ e o ‘Ballet Clássico’.

Artes visuais e plásticas

António Dias dos Santos ‘Kidá’, de 57 anos, recebeu o prémio por se distinguir na gravura. Natural do Bengo, tem formação em Gravura Artística e é membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP). Foi director nacional de formação artística do Ministério da Cultura. Fez várias exposições individuais e colectivas, no país e no estrangeiro. Já participou na produção e reprodução de pinturas murais, discos, cartazes e postais na Alemanha, Brasil, Cabo Verde, Congo Brazzaville, França, Nigéria, Portugal, Reino Unido, Rússia e Suécia.

Cultura Popular

Instituição secular, o grupo Bakamas de Cabinda foi considerado um dos grandes baluartes da defesa e preservação da angolanidade do povo de Cabinda. Suas funções podem ser identificadas a partir das principais ocasiões e circunstâncias das suas exibições, na sua missão de baluarte da pureza e da moral. A origem dos Bakama é praticamente desconhecida. Estiveram ligados ao culto ‘lusunzi’, um génio da terra, que servia de intercessor entre Deus, Criador e Senhor do Universo (Nzambi Mpungu ou Nzambi Nvandji li Ilu ai Nsi).

Teatro

O grupo Ngwizane txikane recebe o prémio pela obra ‘Cassinda não volta atrás’, que retrata a “forma original, os valores culturais e morais da vida social” do Bailundo (Huambo).

Distinção do Estado

O Prémio Nacional de Cultura e Artes é a mais importante distinção do Estado, que já vai na sua 18.ª edição, tendo como principal objectivo incentivar a criação artística e cultural, bem como a investigação científica no domínio das ciências humanas e sociais. O galardão constitui uma homenagem e incentivo ao génio criador dos angolanos. O Prémio Nacional de Cultura e Artes é atribuído nas categorias de literatura, artes plásticas, dança, música, teatro, cinema e audiovisuais, investigação em ciências humanas e sociais, festividades culturais populares e jornalismo cultural.

 

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