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MOBILIÁRIO. Com uma fortuna que faz dele um dos homens mais ricos do mundo, Ingvar Kamprad criou um império mobiliário. é um hábil gestor político e é ‘estrela’ na imprensa por ser demasiado forreta: compra roupa em segunda mão e produtos expirados.

Ingvar Kamprad entrou, há muito tempo, na lista dos homens mais ricos do mundo, já chegou a ocupar a quarta posição, mas é conhecido por ter uma gestão muito própria do seu dinheiro. Tão própria que o torna uma celebridade também por isso. Só compra roupa usada, em feiras e lojas especializadas, e continua a conduzir um carro com quase 25 anos. Num recente documentário, transmitido pela televisão e que assinalou os 90 anos do empresário, Ingvar Kamprad confessou que “nunca teve uma peça de roupa que não tenha sido comprada em segunda mão”. “Isso só significa que quero tentar dar um bom exemplo”, revelou ao canal de televisão sueco, TV4.

Esse exemplo chega a ser extremado. O multimilionário sueco conduz um Volvo 240, de 1993, mas prefere viajar de autocarro e, de avião, opta sempre pela classe turística. No documentário, conta-se que ficou chocado, na Holanda, quando lhe apresentaram uma factura de 25 dólares. Desde essa altura, aproveita as viagens de negócios aos países em vias de desenvolvimento para ir ao barbeiro. Além disso, na pequena cidade onde vive, Smaland, percorre as prateleiras dos supermercados à procura de comprar pacotes de leite e de iogurte que estejam prestes a perder a validade, portanto, mais baratos.

Numa recente entrevista ao jornal espanhol ‘El País’, o director global de design da Ikea, Marcus Engman, defende a atitude do patrão, considerando-a “não como tacanhez”, mas “como consciência dos custos”.

Quem o encontrar numa rua com um ar modesto, nem imagina que Ingvar Kamprad é um multimilionário, dono da IKEA, uma cadeia de mobiliário presente em 280 lojas de 37 países. Longe de entender o que leva um homem com uma fortuna avaliada em mais de 65,5 mil milhões de dólares a ser tão frugal.

LOJA ECONÓMICA

A ideia aliás que presidiu à criação da rede de fabrico de móveis para casa é quase uma cópia do seu pensamento. A primeira loja surgiu em 1943, em pleno auge da Guerra Mundial. Passou logo a ser dominada por uma característica que ainda hoje predomina: são os próprios clientes que montam as peças que compram. O conceito, aliado à utilização de produtos mais baratos e de fácil desgaste, transformou-se num sucesso, que se viria a reflectir em 1958, quando foi aberta a primeira loja gigante na Suécia. O sucesso agitou a concorrência que acusou a empresa de pagar salários baixos e de usar produtos ‘de plástico’. As lojas existentes na altura chegaram a ser ameaçadas por outros fabricantes: ou boicotavam a IKEA ou seriam simplesmente boicotadas, ficando sem produtos.

Ingvar Kamprad acabou por bloquear a venda dos móveis, só permitindo ter os seus produtos em lojas próprias. Hoje a empresa tem uma rede que se estende a 37 países. A maioria destes autênticos centros comerciais de móveis encontra-se na Europa, mas há outros estabelecimentos nos EUA, Canadá, Austrália e em países asiáticos e com a proeza de ter lojas simultaneamente na judia Israel e nos vizinhos muçulmanos do Médio Oriente.

Esta gestão política acabou por ser uma mais-valia do empresário sueco. Em 1961, durante a guerra-fria, conseguiu convencer a socialista Polónia a montar uma fábrica que até hoje é a maior do mundo a seguir à da China. O catálogo da IKEA é composto por mais de 12 mil produtos e tem uma tiragem de cerca de 175 milhões de cópias anuais, com uma distribuição gratuita, através dos correios ou mesmo nas lojas. A tiragem é, por exemplo, superior ao conjunto das bíblias que se comercializam por ano.

Apesar da avareza, Ingvar Kamprad montou o parque Smaland, uma pequena imitação, com produtos do IKEA, da Disneylândia. Mesmo com o sucesso, a empresa não consegue afastar-se das acusações de que tem sido alvo permanente: a de utilização de esquemas para fugir aos impostos, em cada país onde se encontra, especialmente, na Europa. O próprio Ingvar Kamprad mudou-se para um cantão suíço, onde o pagamento de impostos é mais suave.

Ingvar Feodor Kamprad nasceu a 30 de Março de 1926, foi casado uma única vez, tem três filhos e, aos 19 anos, pertenceu a uma organização juvenil fascista, em que dava dinheiro e tinha a missão de recrutar membros.

 

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