wrapper

logo min

pten
António Nogueira

António Nogueira

“Temos excesso de oferta de cimento devido à pouca procura”

De um total de 6,6 milhões de toneladas de cimento de capacidade instalada, apenas 2,2 milhões foram produzidas, devido ao baixo consumo. Em entrevista ao VALOR, o presidente da Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA) revela-se preocupado com a situação e sugere ao Governo a redução das taxas portuárias para permitir a exportação de excedente.

46345034 291335744838778 2768750946539274240 n

Qual é a capacidade actual de produção de cimento do mercado angolano?

Estamos com um nível de produção de cimento muito baixo. Poderíamos estar a produzir mais, se não fosse o actual contexto económico que o país atravessa. Nesse momento, estamos com uma capacidade de produção de 6,600 milhões de toneladas de cimento, mas, até 30 de Outubro, produzimos apenas 2,2 milhões, porque a procura tem estado muito abaixo da capacidade instalada. Nesse período, o consumo foi de 2,3 milhões, ou seja, muito abaixo do que podemos produzir. Quer dizer que temos um excesso de oferta de cimento.

Alguma das associadas da AICA estará neste momento a exportar cimento?

Algumas das nossas associadas estão a exportar, mas só o clinquer. Isto só para fazer face às grandes necessidades, em termos de divisas. Mas estamos a trabalhar com o Executivo, nomeadamente com os ministérios da Economia e da Indústria, no sentido de que, no âmbito dos programas do Governo, particularmente do PRODESI, possamos diversificar e intensificar as exportações e evitar, desse modo, a importação de cimento.

Como se justifica a importação de cimento, quando há um elevado hiato entre a produção e a capacidade instalada, como conferiu?

Nós, associação, somos praticamente contra a importação de cimento. Temos excedente de produção, porque vamos importar? Não há necessidade nenhuma! Há uma ou outra situação pontual particularmente nas províncias de Cabinda, Cunene e Kuando-Kubango que ainda importam algum cimento. Mas isso deve-se à posição geográfica em que essas províncias se encontram localizadas. Por outro lado, essa situação poderá estar a ocorrer também para não se paralisar nenhuma obra, principalmente as que estão previstas no Programa de Investimento Público dessas províncias.

O que estará a faltar para se explorar mais a capacidade instalada? Não se pode contornar a queda do consumo interno com a exportação?

É preciso destacar que, num processo de exportação, temos de ter também em consideração o preço do cimento no mercado internacional. Ou seja, embora tenhamos uma grande capacidade de produção parte da qual possível para a exportação, precisamos também de ser competitivos. Porque, se assim não for, ninguém nos vai comprar o cimento no exterior. O nosso problema é que os custos interferem na produção do cimento, em termos de divisas. Além disso, há outros elementos a ter-se em conta na cadeia de produção, como as taxas portuárias que pagamos e que têm ainda hoje um peso significativo.

E que medidas a AICA, enquanto parceira do Estado, já tomou para reverter esse quadro?

Nós temos estado a negociar com o Executivo para que haja efectivamente, num futuro breve, alguma redução, sobretudo a nível das taxas portuárias, a ver se nos tornamos competitivos. Quer dizer que, quando no mercado internacional o cimento é vendido, por exemplo, a 50 dólares por cada tonelada, nós teríamos de vender a mesma tonelada no máximo a 48 dólares, para que pudesse haver mais um pouco de procura do nosso lado.

Muitas empresas em Angola, nos vários sectores, viram-se obrigadas a diminuir os trabalhadores, devido à crise. Como é que as associadas da AICA estão a tratar dessa situação, em particular?

Temos estado a fazer de tudo para que não se criem mais problemas sociais como os que tivemos recentemente. Angola está a atravessar um momento muito difícil, em termos económicos. Mas nós, AICA, temos tido o apoio do Executivo para manter os nossos níveis de produção. Não faz ideia do quanto tem sido difícil as fábricas operarem nas condições em que se encontram, com um nível de procura do cimento bastante ínfimo, e mesmo assim conseguir manter os trabalhadores a funcionar. Até ao momento, não temos conhecimento de que há despedimentos de trabalhadores por causa dos actuais níveis de procura do cimento, que diminuiu significativamente. Até porque estamos esperançados de que, a qualquer momento, poderá haver um ‘boom’, em termos de procura. Para já, há uma diminuição das empresas de construção e das obras públicas a nível do país. Mas, à medida que se vão incrementando obras, a procura do cimento vai igualmente aumentar. Não estamos a falar só de Luanda. Temos de falar de todo o país e aquilo que nós preconizamos, aquilo que temos como expectativa, é que os programas que estão a ser gizados sejam efectivamente materializados de maneira a isso se reflectir a nível das nossas associadas.

As matérias-primas com as quais têm trabalhado são todas adquiridas em Angola?

Localmente, temos o calcário, a argila, a areia, o minério de ferro e temos também o carvão mineral, mas este último ainda não está a ser explorado. A nível da associação e no intuito de diminuir os custos de produção, temos estado a trabalhar com a Ferrangol a nível do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos. O objectivo é ver também se conseguimos fazer com que se implementem acções visando a reactivação de minas que temos e que estão localizadas no Moxico. Há lá grandes quantidades de carvão mineral e precisamos de saber da qualidade desta matéria-prima para ver se se adequa à produção de cimento. Se assim for, temos uma das associadas que utiliza o carvão. Então, nessa altura, deixamos de importar o carvão para podermos utilizar o interno. Quiçá para outras fábricas que utilizam o ‘fuel’ também. Como este é uma matéria que podemos exportar e trazer mais-valias para o país, então iria fazer-se uma transformação tecnológica no sistema de clinquerização do forno para poder utilizar o combustível e o carvão. Uniformizamos tudo e então teríamos uma grande mais-valia.

Que avaliação faz do actual momento que caracteriza o sector da construção civil em Angola?

Devido ao momento difícil com que se debate actualmente o país, em termos económicos, a avaliação que faço não é das melhores. Hoje não se sente aquela agressividade no sector que gostaríamos que houvesse. Enquanto associação, face ao incremento de algumas obras públicas ao longo do país, já deveríamos começar a sentir efectivamente algum efeito a nível das nossas associadas, no caso, as fábricas que produzem cimento. Até porque, como é consabido, no âmbito da construção, o cimento é praticamente a matéria-prima fundamental.

Acredita que o actual quadro possa evoluir positivamente, a curto prazo?

Pelas informações que temos, acreditamos que o Executivo está a fazer um esforço muito grande para alterar o actual quadro. Do nosso lado, enquanto associação, estamos a implementar alguns projectos. Oxalá tudo se concretize de modo a fazer com que seja possível aproveitarmos a grande capacidade de produção de cimento que temos. E podermos, assim, fornecer às empresas construtoras actuais e aquelas que, no futuro, poderão vir a operar no mercado.

Disse que a AICA tem estado a implementar alguns projectos. Quais são?

Temos estado a sugerir ao Governo, por exemplo, que uma das estratégias que poderia certamente acelerar o consumo de cimento seria utilizar esse produto para a construção de estradas. Isso já ocorre em muitos países do mundo que, ao invés do asfalto, utilizam o cimento para a construção de estradas. Portanto, tem uma durabilidade maior e já está provado que as suas vantagens, do ponto de vista técnico, são melhores do que o asfalto. E isso iria naturalmente contribuir também para que as nossas fábricas pudessem produzir e vender mais.

Perfil

Além do cargo de presidente da Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA), Manuel Pacavira Júnior é um executivo antigo na Nova Cimangola. A AICA, segundo os estatutos, é uma pessoa colectiva de direito privado, sem fins lucrativos, de âmbito nacional e dotada de personalidade jurídica.

Constituída em Junho de 2013, a AICA tem como objectivo promover o desenvolvimento técnico da indústria do cimento e derivados, congregando produtoras como a CIF, com capacidade de produção de 3,6 milhões de toneladas ano; a Cimangola (1,8 milhões de toneladas/ano); FCKS (1,4 milhões de toneladas/ano); a Cimenfort (1,4 milhões de toneladas/ano) e a Sécil Lobito com capacidade de 260 mil toneladas ano.

Read more...

Donald Trump com ‘meia’ razão

EUA. Donald Trump tem repetido com alguma insistência que a economia dos EUA “nunca esteve tão bem como agora”. De acordo com uma estimativa de Setembro, do jornal ‘Washington Post’, o presidente norte-americano fez essa afirmação 40 vezes em três meses.

www.usnews

Com o objectivo de constatar se Trump tem ou não razão, a ‘BBC New’ fez uma comparação entre os principais indicadores económicos dos EUA. O resultado mostra que, em alguns indicadores, dão razão a Trump, está melhor que os antecessores, mas não é o caso do aumento dos salários.

No que diz respeito ao crescimento do PIB, o indicador alcançou a taxa anual de 4,2% no segundo trimestre de 2018. É a melhor taxa dos últimos anos, mas menor que os 4,9% alcançados no terceiro trimestre de 2014. Houve épocas, nas décadas de 1950 e 1960, em que o crescimento do PIB foi ainda maior. “Se optar por ver a saúde da economia com base no PIB, as afirmações de Trump não são tão precisas quando comparamos com o ‘boom’ económico dos EUA nos anos do pós-guerra”, adiantou à BBC Megan Black, professora de história da London School of Economics, no Reino Unido.

O período pós-guerra foi de grande crescimento económico, mais notório em manufactura, mas também em agricultura, transporte, comércio, finanças, mercado imobiliário e mineração.

O mesmo vale para a taxa de desemprego - também usada quando se fala em medir a saúde da economia - que alcançou 3,7% em Setembro. Na década de 1950, houve anos em que a taxa de desemprego estava mais baixa do que agora. Portanto, os indicadores actuais são bons, mas não os melhores da história.

Mercado de acções

Donald Trump tem destacado a valorização do mercado de acções, em particular a Dow Jones, que acompanha as acções de 30 das maiores empresas norte-americanas. Atingiram recordes durante a administração Trump e vozes favoráveis ao presidente argumentam que esse crescimento foi influenciado por cortes de impostos, pela política de colocar os interesses dos “EUA em primeiro plano”, a adopção de medidas para reduzir a burocracia e as promessas de investimento em infra-estruturas.

Trabalho e salários

A taxa de desemprego actual está nos 3,7% - a mais baixa desde 1969. Vem caindo por alguns anos, mas a queda começou durante a presidência de Barack Obama. Ryan Sweet, da consultoria Moody’s Analytics, aponta que o factor chave para esse resultado foi a mudança no perfil da mão-de-obra.

Há uma proporção maior de trabalhadores mais velhos e com alto nível de escolaridade e, para essas duas categorias, as taxas de desemprego são tradicionalmente menores. “O mercado de trabalho em 2000 tinha uma taxa de desemprego menor que 4%. Mudanças demográficas desde então sugerem que o percentual actual poderia ser ainda menor do que os 3,7% de Setembro”, regista Rya Sweet.

Quanto a salários, a média da remuneração por hora trabalhada em 2017 teve um crescimento entre 2,5% e 2,9%, seguindo uma tendência de alta que também começou na administração Obama.

Em Setembro, o aumento foi de 2,8%. Mas a inflação ficou em 2,7%, portanto o aumento real foi bem menor.

Outro indicador observado é o rendimento familiar. A média tem crescido nos últimos três anos, mas a velocidade diminuiu, segundo dados oficiais.

Alguns analistas questionam por quanto tempo a trajectória económica vai continuar. “Nós estamos a experimentar um ‘boom’ agora, mas é provável que isso acabe na próxima década, quando o estímulo fiscal tiver de ser reduzido e a economia tiver de lidar com taxas de juros mais altas”, afirma Mark Zandi, do Moody’s Analytics.

Read more...

Multimilionário filantropo ameaça a política

CARREIRA. Dos 23 mil milhões de dólares que detinha em 2017, George Soros possui actualmente um património avaliado ‘apenas’ em 8,3 mil milhões devido às doações. Há quem faça contas e calcule que poupou 13 mil milhões USD nos impostos.

5219 2 EL

George Soros, magnata e filantropo norte-americano, de origem húngara, é considerado por muitos um dos maiores investidores do mundo. Em Fevereiro de 2017, a sua fortuna, segundo a Forbes, estava avaliada em 25,2 mil milhões de dólares, o que faz dele, um dos 30 homens mais ricos do mundo.

A causa pela qual muito se tem dedicado nos últimos anos, a filantropia, estará a transformar-se na sua principal inimiga. O volume de doações, em relação ao seu património líquido, faz com que o multimilionário tenha destinado mais dinheiro do que qualquer outro membro actual da lista da Forbes 400: 79% de sua fortuna foi direccionada no apoio a activistas políticos.

O magnata aumentou as doações nos últimos anos e, em 2017, anunciou que havia transferido 18 mil milhões de dólares para a Open Society Foundation. Esta operação terá afectado, segundo a Forbes, o património que vale hoje cerca de 8,3 mil milhões de dólares.

No entanto, a Bloomberg revela que, com esse ‘investimento’ nas doacções, Soros terá poupado mais de 13 mil milhões de dólares em impostos, aproveitando a lei norte-americana que dá facilidades a quem destine dinheiro à filantropia. Além disso, permite adiar o pagamento dos impostos durante anos.

As iniciativas de George Soros também têm incomodado muitos políticos. O bilionário é acusado de querer impor uma agenda liberal e progressista em todo o mundo. Nos últimos tempos, tem combatido o avanço da extrema-direita e o populismo o que já enfureceu o presidente húngaro e o norte-americano, Donald Trump.

No fim de Outubro, o congressista republicano Matt Gaetz sugeriu que George Soros pagava uma caravana de imigrantes que vinham das Honduras para os EUA. Também a actriz Roseanne Barr acusou o magnata de colaborar com grupos nazis.

Os ataques não abalam o multimilionário. “O meu sucesso no mercado financeiro deu-me um maior grau de independência do que a maioria das outras pessoas possui. Isso permite que possa posicionar-me sobre questões controversas. Na verdade, isso obriga-me a fazê-lo”, escreveu George Soros.

O multimilionário, a 22 de Outubro, teria sido vítima de um atentado - foi encontrado um explosivo na sua casa em Westchester, em Nova York.

DE PORTEIRO A MULTIMILIONÁRIO

George Soros fugiu do seu país natal, a Hungria, em 1946, após a Segunda Guerra Mundial. Trabalhou como porteiro numa empresa de caminho-de-ferro e posteriormente foi servente de um restaurante para conseguir entrar na universidade London School of Economics.

Mais tarde, mudou-se para Nova Iorque, onde fez o caminho para Wall Street e criou o primeiro fundo de cobertura, o Quantum Fund, com 12 milhões de dólares. Em 1992, o agora multimilionário teve um papel importante na desvalorização da libra e supostamente obteve um lucro de mil milhões de dólares. Assim, ficou conhecido como o ‘homem que dobrou o Banco da Inglaterra’.

O multimilionário tem doado, desde então, milhares de milhões de dólares para promover os direitos humanos e a democracia em todo o mundo, através da Open Society Foundation.

George Soros tem também apoiado uma série de grupos liberais, incluindo a Planned Parenthood, a American Civil Liberties Union e a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Intersexuais. Na esfera política, tem sido um grande doador a candidatos do Partido Democrata, como John Kerry, Barack Obama e Hillary Clinton.

Aos 88 anos, é um dos maiores filantropos da América. Ao longo da vida, já terá doado 32 mil milhões de dólares para entidades filantrópicas, o que o coloca atrás apenas de Bill Gates (que doou 35,8 mil milhões de dólares) e Warren Buffett (35,1 mil milhões de dólares).

De acordo com a Forbes, desde 1993, a Open Society Foundation já distribuiu mais de 14 mil milhões de dólares, em grande parte, para grupos que promovem os direitos humanos básicos e os princípios de um governo democrático, como a Amnistia Internacional e a ONU Mulheres. Em 2016, George Soros disse que 500 milhões de dólares seriam destinados a ajudar refugiados, particularmente, aqueles que chegam à Europa.

*Com agências

Read more...

Comentários

O Valor Económico

É o órgão de eleição para a divulgação da sua marca entre os públicos mais exigentes, designadamente decisores políticos e empresários, profissionais médios e estudantes universitários. Pauta-se pelo rigor da informação e da análise dos temas relevantes que afectam directa ou indirectamente a economia angolana e internacional e afirma-se como espaço de promoção de ideias, através da opinião e do debate.

NewsLetter

Contactos

Para anunciar no Valor Económico, entre em contacto connosco.

Rua Fernão Mendes Pinto, Nº 35, Bairro Alvalade,
Distrito da Maianga – Luanda.

Comercial Telemóveis:

(Geovana Fernandes):

+244 941 784 792

(Arieth Lopes)

+244 941 784 791

Telefones:
+244 222 320510 / 222 320514

comercial@gem.co.ao