Suely de Melo
- segunda, 18 março 2019
Fabricante Imex estima receitas de 18 milhões USD em 2019
COMÉRCIO. Representada anteriormente por outras lojas, Beko pretende agora instalar-se definitivamente em Angola em parceria com a Imex. Mais de cinco milhões de dólares vão ser investidos no fabrico de, pelo menos, duas variedades de electrodomésticos.
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A Imex-Indústria, fabricante de colchões, tubos pvc e sacos de ráfia, prevê aumentar a facturação, este ano, em 12% para 18 milhões de dólares, como resultado do acordo de parceria assinado com a Beko, a gigante de electrodómesticos de origem turca.
Os resultados esperados em 2019 mantêm a tendência de crescimento da facturação da empresa, após o registo positivo de 6% nas receitas de 2018, para 16 milhões de dólares.
Ramzi El Houchaimi, director-geral da Imex, assinala, ainda assim, as “dificuldades” dos últimos três anos, situação que espera reverter agora com a ajuda da parceria fechada com a Beko, a qual classifica como “a alavanca para os projectos da empresa”.
Além da distribuição exclusiva em Angola dos produtos da Beko, o acordo prevê um investimento de cinco milhões de dólares, 70% dos quais a serem canalizados para fabrico de, pelo menos, duas variedades de electrodómesticos, tornando assim a marca europeia numas das primeiras internacionais com produção em Angola.
Com o sonho de posicionar a marca no ‘top 3’ das melhores do país, os parceiros deverão investir um milhão de dólares em campanhas de marketing e 400 mil dólares na construção de 15 lojas, 10 das quais em Luanda e as demais em Benguela, Huíla, Huambo e Cabinda.
Para o CEO da Beko para a região da África subsariana, Evran Albas, a visão é de “longo prazo para Angola”, elogiando o amadurecimento do mercado. “Nas últimas pesquisas, verificámos que o mercado angolano tem estado a amadurecer bastante e achámos que é um bom ambiente para os nossos negócios.”
Nas contas de Ervan Albas, até ao final do ano, projectam-se vendas de até três milhões de dólares, números que deverão chegar a casa dos 10 milhões de dólares, a prazo.
Sobre a estratégia de contorno à crise, o director da Imex explica que a empresa se viu obrigada a deixar de recrutar trabalhadores e lançou, em 2018, a fábrica de sacos de ráfia, de 25, 50 e 150 quilos para a embalagem de farinha de milho, trigo e mandioca, o que “foi fundamental para o crescimento da empresa”. Este ano, a empresa pretende iniciar o fabrico de sacos de ráfia para cimento, tarefa a que vai associar a “aposta forte” na distribuição dos produtos da Beko, projectando para mais tarde a produção dos electrodomésticos.
Há 17 anos no mercado angolano, a Imex produz ainda tanques de água da marca Hippo e tintas da marca Decor. Já a Beko está em toda a África subsariana, sendo comercializada em Angola desde 2013.
Read more...- segunda, 18 fevereiro 2019
Kwanza desvalorizado mais do que o esperado e empresas falidas
ANÁLISE. Especialistas avaliam a política cambial de forma positiva, mas destacam aspectos negativos como a falência de empresas. Há quem alerte para o “ano muito difícil”. Desde Fevereiro de 2018, o kwanza já se desvalorizou em mais de 50% face ao dólar e mais de 30% face ao euro.
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Implementado há um ano, o regime cambial flutuante revelou-se, para analistas económicos e empresários, “um verdadeiro processo administrativo de desvalorização do kwanza que atingiu níveis além do esperado, retirou liquidez às famílias que, assim, deixaram de recorrer às divisas e, sequencialmente, os bancos tiveram mais margem para atender aos ‘poucos’ pedidos”.
Ao VALOR, o banqueiro Fernando Teles considera “positivo” o balanço da implementação do regime cambial por ter permitido que “os pedidos de compra de divisas fossem mais ou menos atendidos” e que “agora são as pessoas que não têm liquidez para comprar divisas”.
O PCA do Banco BIC aponta como aspecto negativo a desvalorização do kwanza que, segundo cálculos do VALOR, foi de 52,4% face ao dólar e 38,6% em relação ao euro. “Já foi (desvalorizado) mais do que o suficiente, esperava que fosse menos”, confessa Fernando Teles, que acredita que este ano seja um ano de investimento no sector primário e que haja relançamento da economia.
Por sua vez, o consultor Galvão Branco considera que “as expectativas que se criaram com a política monetária cambial no sentido de se colocar a taxa de câmbio dentro de metas que não penalizassem tanto o crescimento económico e a actividade dos operadores obteveram um determinado sucesso”. Para o consultor financeiro, as medidas que o BNA adoptou foram as mais “ajustadas e as mais alinhadas com a realidade do país”, porque permitiram “conter o acesso às divisas para fazer face às importações” e tiveram “impactos positivos” na taxa de inflação.
Galvão Branco também concorda que a desvalorização “foi além do esperado”. “Pode eventualmente admitir-se que a desvalorização deve ter ultrapassado aquilo que seria justo à medida em termos da preservação do valor da moeda. Até achei que poderia não se ir tão longe, mas era inevitável essa desvalorização e, por consequência, a perda do poder de compra.”
O analista justifica essa desvalorização com a falta de capacidade que o país tem de assegurar, por via de oferta interna, necessidades básicas. “Estamos sempre amarrados à questão das importações. É preciso efectivamente consagrar o essencial dos nossos recursos e das nossas competências”, afirma.
Para 2019, o consultor antevê grandes dificuldades em assegurar o crescimento nos próximos tempos e aconselha a população a tomar “uma atitude realista” perante este contexto. “Vamos entrar num exercício fiscal em 2019, com grandes problemas na formação da receita, vai haver desemprego, perda de rendimento das famílias e uma perda de rendimentos em grandes sectores da sociedade”, explica. No entanto, acredita que, com as políticas que têm vindo a ser adoptadas e com a monitorização do Fundo Monetário Internacional (FMI), o quadro possa vir a inverter-se a curto período. “A participação do FMI na nossa gestão e estabilização macroeconómica vai ser muito importante para os próximos dois anos. Ao fim desse tempo, iremos sentir os efeitos em termos de desenvolvimento humano”, conclui.
Casas de câmbios contempladas
Milton Macedo, presidente da Associação das Casas de Câmbio de Angola, vislumbra “bons sinais” na distribuição das divisas. No entanto, por altura da implementação da taxa de câmbio flutuante mostrava-se receoso. “Agora ao fim de um ano, o próprio Banco Nacional de Angola já tem outra visão, já conhece melhor as necessidades do mercado e consegue de alguma maneira fazer uma distribuição diferente da que começou”.
As casas de câmbio, depois de quase um ano “excluídas” da distribuição, voltaram, em Janeiro, a participar nos leilões, embora das mais de 100 casas apenas 12 tenham sido contempladas. Por isso, Milton Macedo conclui que “é prematuro” fazer uma análise desta política cambial, mas espera fazê-la depois de Abril.
Regime provoca falências
Por outro lado, Rui Santos, PCA da Sistec, destaca “aspectos positivos” na estratégia adoptada, mas lamenta o “impacto violento” que as empresas sofreram com a implementação desta medida. “Todas as empresas que tinham pagamentos pendentes de fornecimentos a crédito foram muito afectadas porque tiveram de suportar diferenças cambiais nos pagamentos que, à data da entrada em vigor da medida, estavam em divida perante estrangeiros”.
Apesar de considerar que a medida era “fundamental e necessária”, o empresário condói-se com o facto de haver empresas que tiveram ou terão que fechar porque “venderam as mercadorias e/ou serviços baseados no custo histórico contabilístico e o pagamento diferido foi/será feito com base no novo câmbio”.
O regime de câmbio flutuante foi implementado a 1 de Fevereiro de 2018 com vista a orientar os bancos comerciais a pautar por uma conduta transparente, justa, equilibrada e correcta na aquisição e disponibilização de divisas.
Read more...- segunda, 11 fevereiro 2019
“Sucesso do PRODESI depende do apoio da banca”
INVESTIMENTO. Encontro entre empresários franceses e angolanos destapa insuficiências para investimento privado. Fundador da Oxbow e do Coconuts pede mais ajuda da banca nacional e revela projectos para 2020.

O empresário franco-angolano Frederico Crespo, proprietário dos restaurantes Coconuts e Café del Mar, na Ilha de Luanda, defende que “as empresas angolanas só conseguirão estabelecer relações equilibradas com as estrangeiras se tiverem apoio da banca” e que esse “auxílio será também determinante para o sucesso do programa de apoio à produção, diversificação das exportações e substituição das importações ‘Prodesi’”.
Frederico Crespo lançou o alerta, ao VALOR, à margem do Fórum Empresarial França-Angola, realizado na semana passada, em que lembrou que os empresários estrangeiros, quando estudam o mercado nacional, “procuram parceiros angolanos, mas não parceiros adormecidos” e que “precisam de parceiros que corram riscos como o estrangeiro”.
Para o empresário, “o Prodesi é um programa que identifica muito bem as potencialidades e os objectivos para os próximos cinco anos”, mas “só pode ser uma realidade se a banca voltar a financiar as empresas privadas, porque senão as empresas não vão conseguir fortalecer as parcerias com o estrangeiro”.
Produção alimentar para 2020
Frederico Crespo está no país há 28 anos, é fundador da Coconuts Hotelaria & Turismo e da Oxbow, representante exclusivo em Angola das marcas Elle!&Vire, L’Oréal, Dark&Lovely, Milkana, Morgão, Panzani, Cigala e Cuetara.
Ao VALOR, o empresário revelou alguns dos próximos projectos para 2020. Um dos mais destacados passa pela construção de uma indústria alimentar, avaliada em cerca de 20 milhões de euros. “Angola tem de produzir o que come e estamos a apostar neste desafio.
Estamos a investir com parceiros europeus num projecto de produção alimentar que vai transformar matéria-prima nacional, substituir importações e promover exportações para países vizinhos como a Zâmbia, RDC e Moçambique”, revelou.
Frederico Crespo assegura que 2018 foi um ano de estabilização para a Oxbow, empresa de representação, comércio e restauração, e que, “apesar de não se poder comparar com anos dourados que foram até 2014, deu para reequilibrar as contas”. “Foi um ano melhor que 2016 e 2017 que foram os anos mais intensos a nível da crise de divisas. Se considerarmos o volume em kwanzas, crescemos na ordem dos 100%”, adiantou, estimando em cerca de 3,5 mil milhões o volume de vendas no ano passado.
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