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PETRÓLEO. Sonangol contratou a produção dos navios em 2012 e pagaria cerca de 1,3 mil milhões de dólares pelos dois navios com capacidade de perfuração em águas ultra-profundas. Acabou por pagar 800 milhões, depois da renegociação em 2015, mas, mesmo assim, especialistas consideram ser difícil a rentabilização do investimento.

A compra de navios-sonda e a consequente aposta no negócio de ‘drilling’ (perfuração, num processo de corte que usa uma broca para cortar um furo de secção transversal circular em materiais sólidos) pela Sonangol pode revelar-se um negócio inviável, considerando o custo de fabrico dos navios e a tendência de queda das tarifas (rendas/diárias) pelos serviços de perfuração.

Esta é, pelo menos, a posição de dois especialistas questionados pelo VALOR sobre a viabilidade do negócio na sequência da recepção, na semana passada, do segundo e último navio da petrolífera, tal como o anterior fabricado pela sul coreana Daewoo Shipbuilding and Marine Engineering Co– DSME.

Para José Oliveira, os “dois navios foram adquiridos tarde” e o processo “agravou-se pelos insucessos no pré sal da bacia do Kwanza”. No entanto, o investigador entende que os “danos podem ser minimizados”, considerando a forte aposta interna na exploração. “É possível que agora, com a exploração em águas profundas, a situação se componha pelo menos para o arranque da actividade. Agora, claro que os preços de sondagem são baixos, mas não há alternativa”.

Posição mais pessimista tem António Vieira, para quem a petrolífera nunca deveria investir em navios-sonda por entender que “quem tem que ter sondas são as empresas de sondagem e a Sonangol é tudo menos empresa de sondagem, por isso, é que se associou à Seadrill para fazer a gestão sonda”.

O antigo director-geral da Cobalt defende que o sucesso da Sonangol depende de muitos ‘ses’, visto estarem “muitos barcos parados no Golfo do México e a bom preço”. “Se o preço do petróleo subir, se a exploração aumentar, se a procura e desenvolvimento de energias alternativas morrer, ao preço que custou esta plataforma precisa de ser alugada por mais de 500 mil dólares/dia e isso não voltará a acontecer no mercado internacional. Em Angola, com as jogadas de interesse, tudo é possível”, argumenta, acrescentando que “em concurso público esta plataforma nunca teria lucros”.

O preço médio dos navios-sonda pela renda diária é de 170 mil dólares. Em Março, apenas 50% das sondas disponíveis no mercado internacional foram utilizadas.

António Vieira estima entre 15 e 25 anos o tempo de vida útil dos navios. Mas, com os avanços tecnológicos, “ficam ultrapassadas em meia dúzia de anos”.

TRÊS pca, três decisões

A decisão da petrolífera em investir no negócio terá sido tomada em 2012, ano em que foram encomendados os navios, quando a empresa era liderada por Francisco de Lemos. A encomenda inicial foi de quatro navios, mas, em 2015, com a chegada de Isabel dos Santos à liderança da empresa, registou-se um ‘revés’ no negócio.

A petrolífera cancelou a compra de dois e renegociou os custos dos outros dois, “visto que já não era possível cancelar a encomenda”, segundo um quadro sénior da petrolífera que não quis ser identificado.

Como resultado da referida negociação, ao invés dos cerca de 1,3 mil milhões de dólares, a petrolífera ficou comprometida a pagar 800 milhões pelos dois navios e a construtora passou à condição de co-proprietária do navio com cerca de 20%. “Conseguimos que o construtor das sondas ficasse com percentagem e pusesse dinheiro e, assim, a Sonangol já não tinha de pagar mais nada. Imagina que a Sonangol estava falida, estamos a falar de 2014/2015, e fez um contrato de 1,3 mil milhões para dois barcos”, argumenta a fonte.

A petrolífera também terá solicitado o adiamento da entrega dos dois navios para um período em que estivesse financeiramente em melhores condições, visto que o acordo era que o pagamento fosse feito na totalidade no período de recepção das unidades.

Com a chegada de Carlos Saturnino, as partes reactivaram o processo. O primeiro navio foi entregue em Março e o segundo agora em Maio, cumprindo-se a promessa feita pelo construtor em Dezembro do ano passado.

SEDRILL SEM MERCADO

Para a gestão técnica das sondas, fa Sonangol ormou o consórcio Sonadrill com a Sedrill. Os resultados do primeiro trimestre da Sedrill mostram que a companhia, que é uma das maiores do mundo, teve dificuldades em arranjar serviços para a sua frota de 28 sondas, cerca de 54% ficaram em terra.

A empresa registou ainda uma redução de cerca de 17% nas receitas, passando de 364 para 302 milhões de dólares; um prejuízo operacional de 71 milhões de dólares e um prejuízo líquido de 296 milhões de dólares, muito maior que a perda registada no período homólogo, que foi de 203 milhões. O relatório indica ainda que a empresa terminou o trimestre com um contrato de 1,9 mil milhões em carteira, o que representa seis trimestres de receita nos níveis actuais.

A sócia da Sonangol no negócio de perfuração terminou também o trimestre em “risco considerável”, segundo diversos especialistas, considerando os níveis altos de endividamento.

 

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