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ANÁLISE. Paralisações justificadas com incapacidade da empresa em ajustar os salários na ordem dos 80%. Conselho de administração prometeu em Janeiro solução, com um programa que, entre outras acções, visava o combate aos desvios. Mas greve mantém-se.

Os Caminhos de Ferro de Luanda (CFL) já perderam perto de 45 milhões de kwanzas com as duas greves deste ano, de acordo com os cálculos do VALOR, realizados com base na produção diária da empresa, estimada em 1,5 milhões de kwanzas.

A primeira paralisação, levantada a 28 de Janeiro, durou 14 dias e provocou um prejuízo de 21 milhões de kwanzas. Com a segunda, ainda em curso, a empresa perdeu mais 24 milhões de kwanzas em mais de 16 dias. Os trabalhadores exigem um aumento salarial na ordem dos 80%, mas não têm obtido resposta.

Na greve de Janeiro, a direcção da empresa comprometeu-se em satisfazer as exigências dos grevistas até 31 de Março, com o lançamento de um programa que consistiria na “reparação dos meios circulantes avariados”, como locomotivas, carruagens e vagões e no “combate” aos desvios de dinheiro nas bilheterias, como forma de aumentar a rentabilidade. Os trabalhadores acabariam por levantar a greve, mas o incumprimento da empresa gerou mais uma suspensão, iniciada a 18 de Abril.

Júlio Bango Joaquim, presidente do conselho de administração dos CFL, insiste, entretanto, que é “impossível” proceder ao aumento, porque implicaria custos na ordem dos 95 milhões de kwanzas por mês, sendo que em 30 dias a companhia arrecada 50% menos desse valor. Embora a direcção se desdobre em explicar aos colaboradores as razões que tornam “impossível” o cumprimento de algumas das exigências do caderno reivindicativo, os trabalhadores parecem irredutíveis. E mantêm a greve sem fim à vista.

Privatização, a solução

Diferentes académicos têm apontado a privatização dos CFL como a solução para salvar a empresa. No entanto, o porta-voz da companhia, Augusto Osório, tem dúvidas que haja um único empresário interessado em adquirir a empresa na “condição em que se encontra”. Para Augusto Osório, os empresários só teriam interesse na empresa caso o Estado fizesse “um investimento muito grande” na formação de técnicos e na própria infra-estrutura, bem como na aquisição de outro material circulante e de manutenção.

O porta-voz considera que quem sugere a privatização da instituição, provavelmente, “mudaria de opinião”, caso soubesse a “real situação técnico-operacional da CFL”. Ao VALOR, aponta a alteração da tarifa, a “intensificação da transporte de passageiros”, no suburbano e no médio e longo curso, bem como a recuperação de carruagens, vagões cisternas e locomotivas que se encontram avariadas, como algumas das soluções.

“O tarifário é parte da estratégia de negócio que, se implementada, poderá alavancar as receitas, mas a decisão do aumento depende essencialmente de outras instâncias do Estado”, refere Augusto Osório, garantindo que, enquanto não se realiza a alteração das tarifas, o conselho de administração tem implementado “um conjunto de acções” que visam melhorar a arrecadação de receitas. O porta-voz não se manifesta nem contra nem a favor da privatização da empresa, sublinhando, no entanto, que a decisão depende de órgãos competentes.

Os CFL tem pouco mais de 930 funcionários. Os operadores de serviços gerais auferem 40 mil kwanzas de salário e os maquinistas de segunda, 98 mil. Realizam, por dia, 17 viagens de comboio suburbano de passageiros, garantindo o transporte diário a mais de seis mil pessoas, ao custo de 500 kwanzas, em primeira classe; 200 em segunda e 30 kwanzas, em terceira.

 

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