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INDÚSTRIA. Marca alemã quase entrou no mercado em 2005, mas projecto caiu por terra por causa de um escândalo de corrupção. Três anos depois houve um segundo anúncio que também não passou da intenção.

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Após duas tentativas falhadas de entrada em Angola, a marca alemã Volkswagen está em negociações com o Governo para instalar-se no mercado nacional.

A primeira tentativa data de 2005. Em Janeiro desse ano, a Agência Nacional de Investimento Privado (Anip) assinou um contrato de investimento privado com a empresa de direito norte-americano, Ancar Worldwide Investments Holding LLC, para a construção de uma linha de montagem de automóveis Skoda e Volkswagen.

Na assinatura do contrato, em representação da Anip, esteve o então presidente do conselho de administração, Carlos Fernandes, actual responsável pela Sociedade de Desenvolvimento do Pólo Agro-industrial da Capanda (Sodepac). Pela Ancar assinou Hans-Christian Lengfeld, num investimento que rondaria os 48 milhões de dólares.

O contrato previa a instalação da linha de montagem no pólo industrial de Viana, em Luanda, e o fabrico de 160 carros por dia, de marca Skoda e Volkswagen, entre ligeiros e pesados.

O investimento foi considerado pela Anip como o “maior do sector não petrolífero de 2004”. “Esperamos que reactive a indústria e que outras empresas sejam encorajadas a vir para Angola”, referia o antigo administrador da agência, Ari de Carvalho.

A montadora previa começar a produzir a partir de 2007, numa área de 100 mil metros quadrados. Houve até a previsão de um centro de formação para albergar 1.500 estudantes anualmente. “As pessoas vão para a Europa e compram carros usados porque o custo de importar carros novos para Angola é bastante alto. Mas carros construídos localmente podem custar de 25% a 30% menos, o que os tornará muito atraentes”, reforçava Ari de Carvalho.

O projecto não chegou a sair do papel. As razões tiveram que ver com um escândalo da Volkswagem evolvendo o presidente da companhia, Klaus Volkert, e o chefe de recursos humanos da Skoda, Helmuth Schuster, firma checa que pertence ao Grupo Volkswagen. Os dois aproveitaram-se da sua posição na empresa e criaram empresas fictícias em vários países, incluindo em Angola, para negócios ilícitos.

As empresas-‘fantasma’ foram criadas em 2001, em colaboração com Klaus Volkert e outros, para angariar encomendas da Volkswagen ou das suas filiais e envolveram outros países como a República Checa, Índia, Luxemburgo e Suíça.

Na Índia, o negócio rendeu três milhões de euros, com a promessa feita a um governo regional de que montariam uma fábrica da Volkswagen. Em Angola, os negócios permaneceram no papel porque os indícios de actividades ilícitas já eram do conhecimento da direcção da Volkswagen, que activou meios judiciais. “Logo que abriram as investigações, o presidente do conselho de administração, Bernd Pieschetsrieder (na altura), deu ordens para travar a construção de uma unidade de produção de veículos na Índia e de uma unidade de montagem de veículos em Angola”, escrevia o diário alemão Sueddeutsche Zeitung.

A imprensa alemã chegou a escrever que os membros da direcção da Volkswagem teriam pago viagens a alguns países e serviços de prostitutas de luxo a membros do conselho da empresa, o que ficou conhecido como ‘viagens de lazer e orgias’, para os levar a aceitar decisões do patronato.

Depois da explosão do escândalo na imprensa internacional, a Ancar Automóveis de Angola SA, que detinha a representação exclusiva da marca Volkswagem em Angola, anunciou a suspensão do representante da Ancar Worldwild Investments Holding LLC, Hans-Christian Lengfeld das funções de presidente do Conselho de Administração da Ancar Automóveis Angola SA.

Em Fevereiro de 2008, a justiça alemã condenou Klaus Volkert a mais de dois anos de prisão. De acordo com a sentença, Volkert embolsou bónus de quase dois milhões de euros, cujos pagamentos foram autorizados pelo ex-director de recursos humanos da Volswagen. O escândalo de subornos e corrupção foi julgado por partes e em diversas cidades alemãs.

Mais uma tentativa falhada

Depois do escândalo, a marca alemã voltou a anunciar intenções de investir em Angola. Desta vez, a notícia foi apenas divulgada por deputados alemães numa sessão com o Governo.

O anúncio foi feito em Julho de 2008. Deputados do parlamento alemão estiveram em Luanda e foram recebidos pelo antigo ministro-adjunto do primeiro-ministro, actual responsável da Agência Angolana de Regulação de Seguros (Arseg), Aguinaldo Jaime, e manifestaram a intenção da marca alemã entrar em solo angolano.

Pela reunião, que não teve grandes desenvolvimentos na imprensa, ficou-se a saber que a marca alemã pretendia construir uma fábrica e abrir uma representação comercial alemã. Assim como a primeira tentativa, o projecto não seguiu adiante.

 

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