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ENTREVISTA. Empresário aponta a desvalorização da moeda como um dos principais constrangimentos de 2018 que considera um dos piores dos quatro anos de crise. Sente-se optimista, mas chama a atenção para a falta de incentivos e preocupa-o não ter divisas e uma moeda estável. Por enquanto, não pensa em despedimentos e está contra os apoios financeiros aos grandes empresários.

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Que balanço faz da actividade em 2018, comparando aos outros anos, desde o início da crise?

Entrámos em crise quando todos entraram, mas 2016 ainda foi um ano bastante bom para nós. 2017 e 2018 é que foram catastróficos devido às desvalorizações e á falta de divisas. Em 2018, desde o início do ano até ao fim, houve uma desvalorização de mais de 90%. Para quem compra insumos e mão-de-obra especializada em divisas, não é bom porque não conseguimos subir os preços, inclusive houve alguns que baixaram. O que significa dizer que não ganhámos dinheiro.

Quais foram as alternativas encontradas? Despediram?

Ainda não houve despedimentos. Aumentámos, em alguma coisa, a produção para colmatar essa situação. Aumentámos em mais de 25%, mas não significa que tivemos lucros. Foi para não haver prejuízo. Comprar os insumos, os consumíveis e a mão-de-obra especializada em divisas e vender em kwanzas, com a desvalorização, não é fácil. Ainda não fechámos as contas, mas penso que não tivemos lucros. Vamos ver em 2019. Temos esperança de que seja um ano melhor.

Comparativamente ao ano passado, 2018 foi um ano pior?

Aumentámos a produção, mas a facturação, não sei. Mas não foi um ano bom nem para nós nem para ninguém da agricultura. Há muita gente que perdeu dinheiro na agricultura.

O Ministério da Agricultura lançou um projecto de desenvolvimento da agricultura comercial. Como encara este projecto?

Mas é para ajudar os pequenos. Deve ajudar-se os pequenos produtores, os da agricultura familiar. Agora, em relação ao empresários e grandes empresas, não sou apologista de se ajudar. Deve é criar-se um ambiente favorável para que se ganhe dinheiro e que haja financiamentos e juros baixos, subsídios de combustíveis, que se criem alguns subsídios aos grandes produtores a nível de impostos.

Como foi a vossa actividade a nível da exportação?

Em 2018, exportámos bananas, mangas, papaias, pitaias e limas. O maior volume é o das bananas. Dependendo de como estava o mercado externo, exportámos entre seis e 10 contentores de bananas por semana.

Quais foram os principais destinos?

Portugal, Espanha e um pouco para a África do Sul. 

Qual foi a quota de exportação?

Muito pouco, cerca de 5% do que produzimos.

Porquê tão pouco? Qual é a dificuldade?

Temos custos de produção mais elevados do que os outros. A nível dos transportes, temos mais dificuldades que os outros. Na agricultura, somos praticamente só nós a exportar, as companhias não criam rotas porque o volume é pequeno. A América Latina, como têm grandes volumes, muitas empresas, têm navios próprios, outras empresas têm rotas próprias e aqui não é o caso. Enquanto da América Latina, a viagem pode demorar 14 dias aqui são 30. São alguns constrangimentos que temos.

E porque não aposta nos mercados vizinhos?

Não tem mercado, tivemos uma empresa na RDC que tivemos de fechar. Não era possível vender porque a viagem é atribulada, os custos da viagem são loucos, prendiam carros e o mercado é muito pobre. Não tem pessoas com dinheiro para comprar produtos de qualidade e que encarecem ainda mais com o transporte. Exportamos, agora, alguma coisa para a África do Sul. Estamos a tentar, mas não é fácil.

A Agrolíder sente essas dificuldades apenas na agricultura ou também noutros investimentos?

Todos. Não se está a ganhar dinheiro por causa da desvalorização. Aqui não se fabrica nada, é tudo importado, os pesticidas, os adubos, tudo.

Mas é também um desafio dos empresários a aposta na industrialização...

Não é fácil. Vamos criando o que conseguimos criar. Houve projectos que, devido à falta de divisas, não conseguimos andar com eles. Ultimamente, a falta de divisas e a desvalorização têm arruinado as empresas. Temos projectos, temos muita coisa para dar, só que com a desvalorização e com a falta de divisas houve coisas que não conseguimos fazer. Muitas empresas agrícolas fecharam as portas, nós, felizmente, continuamos.

Acredita-se que ‘bons ventos’ se avizinham?

Estou optimista. As novas políticas ditam que as coisas irão melhorar, estamos na luta para ajudar o país a andar para frente.

Que projectos para 2019?

Tudo depende destes factores, projectos temos.

Pode adiantar alguns?

Temos, nos lacticínios, um aumento da produção e da exportação. No café, investir na indústria para transformação. Temos muitos projectos, aumento de capacidade de refrigeração.

Pretendem encontrar novos mercados para exportação?

Estamos em busca de novos mercados. Temos mais mercados europeus e estamos em contacto com algumas empresas que operam no Dubai para começarmos a exportar.

Caso consigam entrar no Dubai, o que pretendem exportar?

O Dubai carece de tudo. Não produz nada. Temos mais de 50 tipos de produtos, mas estamos a negociar as hortícofrutícolas. A nossa empresa é certificada na hortofrutícolas e carne.

Como avalia a concorrência interna?

Não sentimos concorrência, infelizmente. É bom que venha, é salutar para irmos inovando. O que é preciso é uma moeda estável e divisas para trabalharmos, porque não andamos aqui com falcatruas. Somos um grupo de empresas que trabalha com honestidade e rectidão, não utiliza o dinheiro mal. O que pedimos é só acesso a divisas e uma moeda estável para trabalharmos.

Last modified on segunda, 14 janeiro 2019
 

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