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NEGÓCIOS. Accionistas do grupo não reforçam capital na sociedade que detém o empreendimento ‘Comandante Gika’ desde 2010, tendo a situação resultado já num volume de dívida de três dezenas de milhões de dólares.

Jose Leitao 600x280

O Grupo Gema, Sociedade de Gestão e Participações Financeiras, encontra-se actualmente numa “situação de quase falência técnica, devido à situação económica e financeira que persiste no país”.

A revelação foi avançada, em exclusivo, ao VALOR, pelo presidente do conselho de administração do grupo, José Leitão, dando conta que a situação se verifica em quase todas as áreas de intervenção do grupo, com destaque para o segmento da construção civil, distribuição automóvel, logística e energia.

O negócio da cerveja, que é desenvolvido através do projecto UCERJA (União das Cervejas de Angola), é dos poucos que ainda estará a garantir algum lucro ao grupo, segundo o gestor sem, no entanto, fazer referência aos resultados dos últimos anos.

Para ilustrar o momento difícil com que se defronta a empresa, José Leitão revelou que o grupo Gema arrasta uma dívida avaliada em 30 milhões de dólares para com a sociedade que detém o empreendimento ‘Comandante Gika’, em Luanda, situação resultante da falta de reforços de capital dos accionistas do grupo.

Avaliado em 470 milhões de dólares, e ocupando uma área de 307 mil metros quadrados, o empreendimento ‘Gika’ é dos maiores investimentos sob a gestão do grupo na área do imobiliário que, no entanto, continua por se concluir, embora a projecção inicial para a sua conclusão fosse de apenas dois anos.

O plano de construção do projecto integra, entre outros serviços, um shopping de três pisos, baptizado de ‘Luanda Shopping’, com 208 lojas; um hipermercado; seis salas de cinema; restaurantes e um parque de estacionamento com capacidade para 1.581 viaturas.

Está igualmente prevista, a construção de duas torres, com 21 pisos cada uma, para albergar escritórios. E outras duas torres, de habitação, com 25 pisos cada uma e 136 apartamentos. O empreendimento deverá contar igualmente com um hotel de cinco estrelas, baptizado com o nome ‘Hotel Vip Grand Luanda’, contendo um heliporto.

Para o reforço da sua actuação, na área da construção civil, o grupo Gema estabeleceu uma parceria, em 2011, com a construtora portuguesa Edifer, com a qual perspectivava obter, no final do mesmo ano, um volume de negócios na ordem dos 520 milhões de dólares.

O grupo Gema é accionista da Coca-Cola, da UCERJA e da Vauco, marca Chevrolet de automóveis. Está presente nos cimentos, nos petróleos (bloco 18), nos sectores dos portos e das pescas.

Empresário minimiza acórdão

José Leitão afirmou, por outro lado, desconhecer o acórdão do Tribunal Supremo que dá razão a Pedro Januário Macamba, considerando este último como “legítimo sócio do grupo Gema”, em detrimento do primeiro.

O Tribunal Supremo, no acórdão de 10 de Maio passado, confirmou a decisão do Tribunal Provincial de Luanda, que concluía que o grupo Gema falsificava as assinaturas de Pedro Macamba nas actas dos sócios. Esta decisão e os fundamentos que a sustentam conduzem, segundo alguns observadores, à conclusão de que Pedro Macamba é o sócio legítimo da empresa, e José Leitão não.

Confrontado com a situação, o empresário admite que indicou Pedro Macamba como seu representante no grupo, mas justifica que o ocorrido se deveu ao facto de, na altura, ter estado a desempenhar funções na política, como ex-chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Ao largar a política activa, em finais de 2003, José Leitão decidiu abraçar por completo a actividade empresarial o que, por regra, daria por findo o ‘pacto’ que mantinha com Pedro Macamba, como seu representante dentro do grupo.

O certo é que este último reclama, ainda hoje, o título de accionista do grupo, motivo que arrastou o caso às barras do tribunal. Apesar da decisão do tribunal, José Leitão desafia Pedro Macamba a provar que detém, de facto, acções.

“Os accionistas têm de provar que detêm participação no grupo. Cada accionista tem as suas respectivas acções. Então, ele que prove isso”, atestou o empresário, tendo reforçado que o caso não é novo e que só perdura porque Pedro Macamba “tem andado a exigir que se lhe dê 500 milhões de dólares”, pedido que nunca foi aceite.

José Leitão prometeu avançar mais detalhes sobre o caso, o que ocorreria através de um jurista que trabalha para o grupo e que domina o processo. No entanto, até ao fecho da edição, não houve resposta do advogado.

 

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