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AVIAÇÃO. Apesar de fazer parte da comissão instaladora da futura empresa pública privada, a ENANA não fazia parte dos potenciais accionistas. Além da TAAG, integram o projecto Best Fly, Aerojet, Airjet, Heliang e JLC.

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A comissão instaladora da Angola Express, futura empresa público-privada que está a ser constituída para substituir a actividade doméstica da TAAG, convidou a ENANA para a estrutura accionista, segundo apurou o VALOR.

A ENANA também é membro da comissão instaladora e foi nesta condição que recebeu a proposta que está a ser analisada. A sua inclusão é vista na perspectiva de poder vir a concorrer para a redução dos custos das operações aeroportuárias, que é uma das maiores reclamações das operadoras privadas.

No desenho inicial da Angola Express, a parceria seria constituída entre a TAAG e as companhias privadas Best Fly, Aerojet, airjet, Heliang, JLC, estando a quota de cada uma condicionada à capacidade financeira de cada uma das participantes. No entanto, ainda existem reticências em relação à participação das operadoras privadas devido à actual conjuntura económica. Estas empresas enfrentam dificuldades financeiras, com o quadro da aviação doméstica a ser marcado por muitas falências, estando a TAAG a assegurar quase toda a procura doméstica. “Nenhuma destas pequenas companhias tem dinheiro para entrar nesta sociedade”, explica fonte próxima do processo.

Mas, como apurou o VALOR, o surgimento da Angola-Express não vai representar, necessariamente, a morte das companhias que vão fazer parte da sociedade, que poderão continuar a operar regularmente. Grande parte dos trabalhadores excedentários da TAAG vai ser absorvida pela nova companhia, sobretudo pilotos, mecânicos, oficiais de operações. Das outras companhias também poderão sair quadros.

AVIÕES A 270 MILHÕES USD

A nova companhia aérea deverá investir 270 milhões de dólares na compra dos aviões do tipo Dash 400. Cada aparelho custa 27 milhões de dólares e o projecto inicial prevê a aquisição de 10 aeronaves com capacidade para 72 passageiros cada uma. A comissão analisa as vantagens e as desvantagens de negociar directamente com o fabricante canadiano ou por intermédio do representante da construtora em África que tem sede na África do Sul. A decisão, em princípio, deve ser tomada brevemente, visto que o Executivo pretende que o projecto esteja concluído até ao fim do ano.

A opção pelos aviões canadianos tem que ver com os custos operacionais, muito inferiores em relação, por exemplo, aos Boeings da TAAG. Só em combustível gasta menos de metade e as manutenções ficam ainda mais baratas, o que poderá também influenciar na redução dos preços dos bilhetes.

Pela justificação oficial, a criação da Angola-Express surge da necessidade de tornar rentável o transporte de passageiros nas rotas domésticas. Um estudo, realizado pelo Governo, concluiu que o transporte assegurado pela TAAG tem prejuízos acumulados de 30 anos, necessitando a companhia de novas aeronaves, segundo declarou o ministro dos Transportes, Augusto Tomás, há duas semanas. Uma das razões para essa ineficiência está ligada ao tipo de equipamento utilizado. “Temos de fazer um ‘road-show’ para seleccionar o tipo de equipamento mais adequado para o transporte aéreo doméstico e é um processo que está em curso, com a participação também do sector privado nacional, tendo em conta que é uma tarefa aberta para o privado”, disse na ocasião. O VALOR apurou ainda que está decidido que o actual Aeroporto ‘4 de Fevereiro’, depois da inauguração do novo aeroporto internacional, será convertido exclusivamente para voos domésticos, executivos e presidenciais.