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TELEFONIA MÓVEL. Em Janeiro, vai lançar uma nova imagem corporativa e introduzir no mercado novos aparelhos. Para fazer face às falhas, investiu num laboratório no país.

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A Facemundi Angola, primeira fabricante angolana de telemóveis, prevê instalar, até ao fim do primeiro trimestre de 2018, uma fábrica no país com capacidade de produção anual de um milhão de aparelhos, segundo o seu director-geral, Nilton Viana, em exclusivo ao VALOR.

Sem entrar em detalhes sobre o investimento, o gestor explicou que a transferência para o país da unidade de produção, situada na China, resulta de investimentos de parceiros angolanos que abraçaram o projecto.

Em Maio passado, Viana estimou, no entanto, em cerca de sete milhões de dólares o investimento necessário para a transferência da unidade para o país. Na altura, referiu que a empresa estava a negociar com as entidades governamentais para que fosse garantido “apoio institucional” no sentido da obtenção de financiamento bancário.

Para o gestor, a transferência da unidade vai concorrer “para prover melhor o mercado nacional e reduzir os custos de importação a partir do país asiatico”, situação agravada com a dificuldade de obtenção de divisas. Pelos cálculos de Viana, o investimento deverá proporcionar mil empregos directos que serão assegurados maioritariamente por nacionais.

Em 2013, a Facemundi Angola criou uma parceria com Facemundi China para a produção de telefones na China, num investimento de 3,5 milhões de dólares. A empresa produz actualmente 300 mil telefones por ano, mas, com a transferência da unidade, a produção poderá ser triplicada para perto de um milhão.

Para Janeiro de 2018, a Facemundi prevê lançar uma nova imagem corporativa e introduzir, no mercado, novos aparelhos com qualidade superior em relação aos produtos que actualmente comercializa. A empresa tem ainda, em agenda, o início, para breve, da comercialização dos telefones nas lojas de conveniências dos postos de abastecimentos de combustíveis da Sonangol.

Investir contra falhas técnicas

Nilton Viana adiantou que a empresa investiu cerca de 200 mil dólares para contrapor as falhas técnicas apresentadas por alguns telefones. Para o efeito, a Facemundi Angola apetrechou um laboratório de desenvolvimento e reparação de telefones, que também atende às necessidades de outras marcas, bem como das principais operadoras móveis. Com uma capacidade de assistência de 20 aparelhos por dia, o laboratório conta com 18 engenheiros, contratados localmente. “Vimos que deixar esta parte com os parceiros chineses não seria ideal, por isso contratamos localmente engenheiros de qualidade que avaliam os produtos de acordo com aquilo que desenhamos, antes de entrarem no circuito da comercialização”, justificou.

Nilton Viana reconhece que as falhas afectaram a venda dos mais de 80 mil aparelhos de vários tipos, comercializados maioritariamente fora de Luanda desde o lançamento em Dezembro de 2016. Os telefones da Facemundi foram inteiramente desenhado em Angola, mas são fabricados na China, seguindo o modelo das grandes marcas, como é o caso da iPhone, que foi concebido nos EUA. Segundo os seus promotores, o aparelho oferece um conjunto de aplicações formatadas e dimensionadas para a realidade angolana e tem uma variedade de modelos com designação de ícones nacionais, como “ Imbondeiro” e “Palanquinha”.

Os países vizinhos entram nas ambições da Facemundi Angola, sobretudo quando a fábrica atingir o máximo da produção, visto que, segundo o gestor, o mercado angolano seria insuficiente para absorver a oferta. Viana aponta, sobretudo, a RDC com potencial para as vendas do telefone “feito em Angola”.

 

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