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INDÚSTRIA. Fábricas de óleo e sabão estão paralisadas há cerca de um ano, devido a dificuldades de importação de matéria-prima por falta de divisas.

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O Grupo Bartolomeu Dias (GBD) viu-se forçado a recorrer a um financiamento externo para ‘salvar’ as fábricas de óleo e sabonete da Nori (Nova Rede Industrial) que se encontram paralisadas há cerca de um ano, por falta de matéria-prima como consequência da falta de divisas.

A informação foi avançada ao VE pelo presidente do grupo, Bartolomeu Dias, o mesmo que acrescentou que o grupo fez recurso à ‘solução estrangeira’ porque não estava interessado em “continuar a viver na condição de pedinte”.

Segundo o empresário, a última importação do grupo foi em 2014, apesar de várias tentativas posteriores no sentido de conseguir divisas. “Não conseguimos por várias razões pelas quais muita gente reclama e vocês [jornalistas] conhecem ”, declarou o presidente do GBD, acrescentando que não pretendeu ir pela via que todo o mundo seguiu. “Uns conseguiram e outros não. Para nós, seria uma perda de tempo, porque, neste momento, não se tem muito controlo das medidas tomadas para a salvaguarda dos vários sectores”, criticou.

Sem avançar o valor do financiamento, Bartolomeu Dias estimou entre 15 e 20 milhões de dólares a necessidade do grupo. “Como há escassez de divisas e não podemos pensar só em nós, seria o suficiente para termos todas as fábricas a funcionar, não ao máximo das capacidades, mas para trabalhar a 60% e 70%”, calculou.

Em relação à instituição que concedeu o empréstimo, o empresário revelou apenas que se trata de uma entidade do Dubai. “Um mercado onde nos movimentamos bem, estamos estruturados e conseguimos buscar de créditos”, caracterizou.

Como resultado do recurso ao financiamento externo, a exportação passa a fazer parte da estratégia do grupo, devido à necessidade de adquirir divisas para honrar com o compromisso financeiro. “Temos uma estratégia interna que nos vai permitir [honrar o compromisso]. Assim como nos alimentamos com os produtos vindos da China, as nossas fábricas também podem alimentar os mercados regionais. Vamos apostar na exportação para manter as unidades fabris a funcionar”, explicou.

No período de paralisação, segundo o empresário, o grupo aproveitou fazer um ‘upgrade’ das unidades da Nori.

“Vamos retomar com maior nível de produção, estamos a instalar novas linhas de enchimento, com maior capacidade e velocidade. Vamos imprimir outra dinâmica, vamos enquadrar a fábrica no actual contexto. Com a linha do sabonete aconteceu a mesma coisa, a capacidade de refinaria mantém-se entre 150 e 200 toneladas por dia, a capacidade de enchimento passará para a ordem de 25 mil caixas/dia, que é uma média aceitável”, adiantou estimando o reinício das unidades para dentro de duas semanas.

“Neste momento, temos produtos no porto, mais de 100 contentores, vamos desalfandegar dentro de dias para retomarmos a produção destas fábricas e arrancarmos a produção de novas, temos novas unidades montadas [de sacos de ráfia, luvas e loiça sanitária] que só não arrancaram por falta de divisas.”

Bartolomeu Dias garantiu que, durante a paralisação, a empresa manteve os trabalhadores devido ao risco de vir a ter dificuldades de encontrar pessoas com as mesmas valências. “Não tínhamos hipóteses de desempregar, porque temos pessoas que levámos muito tempo a formar. Tivemos de assumir o prejuízo de mantê-las na empresa, mesmo sem trabalhar, faziam a manutenção nas nossas unidades. Se elas conseguissem outros empregos ou desaparecessem de Luanda teríamos de nos submeter a um outro processo de recrutamento”, argumentou.

Localizadas no Morro Bento, as fábricas foram inauguradas em 2007 e produzem as marcas de óleo ‘Senhorita’ e o sabonete ‘Ana’. O grupo conta com cerca de duas dezenas de empresas, em que se destacam a Diexim Expresso (aviação), Angoinform (informática), Divisão de Segurança, Internacional Travel (agência de viagem e de rent-a-car), a Diexim Rodoviária (camionagem), Sul do Kwanza (Imobiliária) e a Cleaning (empresa de limpeza).

“É UM CRIME CONTEMPLAR APENAS A IMPORTAÇÃO”

O empresário classificou como “crime” deixar as unidades fabris paradas e permitir que as pessoas que importam óleo aumentem a sua capacidade de importação. “É um cenário perante o qual não aceito calar-me”, avisa.

Em relação aos objectivos ‘estruturantes’, Dias declara que quer “empresas geracionais”. “Não estamos aqui para hoje sermos empresários e amanhã deixarmos movidos pelo lucro fácil. Fui um dos maiores importadores do sector alimentar do país, nos anos 1992 e 93, deixei porque achei que não me dava um estatuto de verdadeiro empresário”, justificou-se.

O empresário disse ainda preferir esperar para ver concretizada a promessa de se “encontrarem os melhores mecanismos para que as escassas divisas disponíveis deixem de beneficiar apenas a um grupo reduzido de empresas e passem a beneficiar os grandes importadores de bens de consumo e de matérias-primas e de equipamentos que garantam o fomento da produção nacional”, lançada pelo presidente João Lourenço, durante o discurso sobre o estado da Nação. “É expectativa, porque, entre o falar e o fazer, ainda existem uns bons números”, salientou o empresário.

 

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