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TÍTULOS SOBERANOS. Investimento é explicado como uma antecipação ao risco de depreciação do kwanza.

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Depois de ter aplicado 59 milhões de dólares na compra de Títulos do Tesouro, no segundo semestre de 2016, o grupo sul-africano Shoprite voltou a investir o equivalente a 108 milhões de dólares em obrigações soberanas, na primeira metade do ano em curso, antecipando-se ao risco de desvalorização do kwanza.

A informação consta do relatório e contas referente ao período em análise, em que a empresa explica que “as obrigações ganham juros a uma taxa média de 7% e são reembolsáveis no prazo de 36 meses”, além de que “os juros acumulados são pagáveis bianualmente”.

A ausência, no relatório, dos números correspondentes aos negócios do grupo em cada um dos mercados fora da África do Sul impossibilita aferir a percentagem a que corresponde o valor investido no volume global de vendas no país. A empresa também se mostrou indisponível a esclarecer a participação do mercado angolano nas receitas globais do grupo.

No entanto, cálculos do VALOR fixam o valor investido em títulos de tesouro em cerca de 5,6% da receita da empresa com os supermercados fora da África do Sul, calculada em 1,9 mil milhões de dólares. A facturação fora da África do Sul representa, por sua vez, 17,6% das receitas globais do grupo, equivalendo a mais de 11 mil milhões de dólares, em termos nominais.

Resultados justificam a aposta

O mercado angolano tem-se revelado “óptimo”, para os negócios do grupo sul-africano, como mostram os resultados do primeiro semestre deste ano, face ao registo homólogo. Comparativamente à primeira metade de 2016, as vendas, nos primeiros seis meses deste ano, cresceram cerca de 66,8%, enquanto o número de clientes subiu 35,7%.

“Angola apresentou um desempenho sólido e agora representa a maior parte das vendas fora de África (superou a Nigéria). Os resultados dos nossos 30 supermercados são muito superiores às nossas expectativas”, lê-se no documento.

No entanto, quando comparadas às do segundo semestre de 2016, as vendas do primeiro semestre de 2017 registam uma redução na margem de crescimento, assim como sucede com o número de clientes. No final de 2016, as vendas na Shoprite cresceram 155%, enquanto o número de clientes aumentou cerca de 70%. No entanto, a empresa antecipava que seria “difícil” manter o mesmo nível de crescimento.

“A administração está ciente de que tais níveis de crescimento podem não ser sustentáveis a longo prazo. No entanto, estamos confiantes de que a maioria dos novos clientes, tendo-se familiarizado com os nossos preços e qualidade dos produtos disponíveis, deverá manter-se fiel, mesmo quando as condições do mercado melhorarem”, lê-se no relatório referente ao segundo semestre de 2016.

Nesse período, os supermercados Shoprite registaram enchentes históricas devido às dificuldades da concorrência em manter a disponibilidade de produtos, face à escassez de divisas. No que diz respeito aos clientes, o grupo Shoprite garante que 20% dos que iniciaram contacto com a empresa naquele período mantiveram-se “fiéis” nos primeiros seis meses do ano em curso.

Desta feita, o mercado angolano, a par do nigeriano, foi o principal responsável para o resultado positivo da rede de supermercados do grupo fora da África do Sul. “Os supermercados fora da África do Sul, que actua em 14 países no resto da África e nas ilhas do Oceano Índico, produziram novamente resultados saudáveis. Os 308 estabelecimentos geraram vendas de 1,9 mil milhões de dólares, 11,7% superiores ao período homólogo. Angola e a Nigéria continuam a ser os melhores, apesar da escassez de moeda estrangeira nesses países produtores de petróleo. Também vimos uma boa recuperação na Namíbia este ano”.

Investir para liderar o mercado

Presente em Angola desde 2003, o grupo Shoprite tem previsto um investimento para os próximos cinco anos que o podem colocar na liderança do sector, caso os demais ‘players’ não o acompanhem. Em Abril deste ano, o grupo aprovou 571,7 milhões de dólares para a construção de 15 centros comerciais, 19 supermercados, um armazém e duas estruturas residenciais, além de prever melhorias em quatro dos estabelecimentos existentes.

Com previsão para beneficiar 11 das dezoito províncias e proporcionar mais de 5,6 mil postos de trabalho, o contrato do novo investimento foi assinado com o Estado e prevê benefícios fiscais para a empresa. É o caso da redução de 65% do Imposto de Rendimento de Trabalho, além da Taxa de Imposto sobre a Aplicação de Capitais por um período de 10 anos. Por um período semelhante e igual percentagem, beneficiará também da redução de imposto de Sisa na aquisição de terrenos e de imóveis para o projecto. Para um período de cinco anos, beneficiará de isenção nos impostos de consumo na importação de quaisquer bens e equipamentos, bem como no pagamento de direito e demais imposições aduaneiras, com excepção do imposto de selo e das taxas devidas pela prestação de serviço destes produtos e equipamentos importados.

 

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