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DESPEDIMENTOS. Transportadora avança com redução de pessoal para evitar 
falência. Nos últimos três anos, empresa de autocarros públicos vem enfrentando problemas financeiros, explicadas sobretudo pelas dívidas do Estado.

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A Tura (Transporte Urbano Rodoviário de Angola) pondera despedir, ainda este ano, 125 trabalhadores, o que representa 25% do total de 502 funcionários da empresa, sediada em Luanda, apurou o VALOR.

Segundo o director da Tura, José Augusto, a medida é consequência dos problemas financeiros que a operadora privada de transportes públicos vem enfrentando nos últimos três anos e serve para evitar o encerramento da firma. “É sempre duro ter de despedir trabalhadores nestas condições.

Mas a verdade é que não há dinheiro e, para que a empresa não entre em falência, ficando todos os 502 trabalhadores, mais as suas famílias sem o pão, temos mesmo de reduzir o pessoal”, lamenta o director da Tura que garante indeminizações para os visados.

Apesar das dificuldades de tesouraria, não há salários em atraso, mas José Augusto conta que a empresa esteve em risco de não fazer o pagamento dos ordenados de Julho e Agosto. “Tivemos de fazer várias engenharias financeiras e, por sorte, conseguimos, por isso é que, se não forem tomadas medidas, a empresa vai mesmo fechar.” José Augusto avanou que as dificuldades financeiras da Tura estão relacionadas com as dívidas acumuladas de cerca de 500 milhões de kwanzas que o Estado tem para com a empresa.

O valor em causa tem que ver com o pagamento do subsídio do bilhete de passagem do autocarro. A corrida custa 90 kwanzas por viagem e é subvencionada em dois terços, sendo que o passageiro paga 30 kwanzas e o Estado cobre os restantes 60 kwanzas. “Se o Estado pagasse os subsídios a tempo, garantidamente não estaríamos a enfrentar estes problemas”, acusa Augusto, para quem o custo real da passagem do autocarro é de 200 kwanzas, o que deveria levar o Estado a actualizar a tarifa.

“Deste modo, o passageiro pagaria 100 kwanzas e a subvenção cobriria os restantes 100”, calcula. José Augusto voltou a lamentar o alto índice de deterioração dos autocarros devido à má utilização por parte dos passageiros e ao mau estado das estradas primárias e secundárias, acrescentado que um autocarro normal tem capacidade para transportar 80 a 85 passageiros, mas no quotidiano chegam a entrar 130 nos meios rolantes. A aquisição de um autocarro novo anda à volta dos 200 mil dólares.

Os autocarros da Tura, que não têm concessionária em Angola, são fabricados na China, país de onde também saem as peças sobresselentes. O processo de importação deste material leva entre quatro e seis meses, tempo em que as máquinas também ficam inoperantes à espera da manutenção que custa mensalmente 3.500 dólares por unidade. Já as perdas de um autocarro parado rondam os 500 dólares por dia, segundo cálculos do responsável da Tura.

Criada em 2001, a Tura já teve até 250 autocarros, mas actualmente não passam de 30 viaturas. Além dos transportes urbanos, a empresa opera também no segmento interprovincial, Luanda-Malanje e Luanda-Uíge. No meio de vários dificuldades, a direcção da Tura foi ainda “surpreendida”, com um incêndio nas suas instalações, situadas na zona do Mercado dos Congolenses, em Luanda.

Os danos estão avaliados entre 150 e 200 mil dólares, sendo que as causas ainda estão por apurar.A empresa não tem seguros contra incêndios.

Segundo José Augusto, os Serviços de Investigação Criminal estão no encalce das investigações. Entre as perdas, destacam-se 210 garrafas de gás butano, de uma empresa associada ao grupo Tura, estruturas de transportes dessas botijas e uma bomba de combustíveis ligada a cinco tanques de abastecimento dos autocarros.

 

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