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RESULTADOS. Auditores da PricewaterhouseCoopers inscrevem quatro reservas nas contas da petrolífera pública, uma das quais relacionadas com as operações com Estado. Conselho de Administração destaca crescimento num ano adverso. Economistas questionam crescimento.

 

O relatório e contas de 2016 da Sonangol, apresentado na última semana pelo conselho de administração (CA) da empresa, e que declara um crescimento de 36% do resultado operacional, foi aprovado com pelo menos quatro reservas do auditor, que coloca em dúvida cerca 1.308.504.862 milhares de kwanzas em activos.

As reservas referem-se, entre outras, a dúvidas em relação a transacções com o Estado, à recuperabilidade de investimentos e à recuperação de actvios em negócios não-core.

Em relação às transações com o Estado, o auditor explica que o balanço, consolidado em 31 de Dezembro de 2016, inclui saldos a receber e a pagar de 25.531.093 milhares de kwanzas (2015: 5.924.124 milhares de kwanzas) e 436.248.242 Kz (2015: 332.742.218 kz), correspondentes ao movimento financeiro com o Tesouro Nacional, enquanto concessionária, que não é possível determinar “se reflectem adequadamente” todas as transações, direitos e obrigações subjacentes”.

Noutro ponto, a PWC mostra dúvidas quanto à recuperabilidade de um investimento total de 525.038.882 milhares kz nos blocos 29.09 e 31, face à necessidade de elaboração de uma matriz regulamentar para a exploração do gás, no caso do primeiro, e à utilização de técnicas “mais eficientes”, para a exploração, no caso do segundo bloco.

Outra reserva do auditor está relacionada com inclusão, no balanço consolidado, de diversos activos do negócio não-core avaliados acima dos 154.290.677 milhares kz, relativamente aos quais estão em curso accções de conciliação e deligência para a sua recuperação futura. Razão pela qual, segundo o auditor, não se encontraram reunidas as condições que permitissem concluir sobre os efeitos dos saldos em causa.

No escrutínio aos resultados da Sonangol, a PWC alerta também que a rubrica ‘activos reversíveis’ inclui um valor de 167.395.968 de milhares de kwanzas, “referente a activos passíveis de identificar até esta data”, explicados pela alteração da política contabilística da Sonangol que passou a reconhecer, no balanço, os activos físicos adquiridos pelos grupos empreiteiros no âmbito dos contratos de partilha e produção celebrados com a concessionária. O auditor explica que, pelo facto de a Sonangol não ter obtido informação necessária para a totalidade dos blocos, não foi possível determinar os efeitos deste processo sobre as demonstrações financeiras consolidadas.

CRESCEU 36 POR CENTO 

Lançado na última segunda-feira, o primeiro relatório e contas da Sonangol, da gestão de Isabel dos Santos é marcado com um crescimento no resultado operacional de 36%, para os 525 mil milhões de kwanzas, além de um resultado líquido no exercício superior a 13 mil milhões de kwanzas. Factos que, na avaliação do CA, “reflectem uma inversão da tendência de queda abrupta nos exercícios dos dois anos anteriores”, solidificando as bases da recuperação do Grupo.

A presidente do conselho de administração destacou o “indicador mais positivo, por ter sido conquistado num ano em que a Sonangol enfrentou um contexto muito adverso, tanto a nível nacional como internacional”. Para a gestora, os resultados obtidos apresentam-se “fundamentais” para que a empresa assuma, de novo, a condição de força motriz da economia angolana e geradora de riqueza.

Outro aspecto, destacado na conferência de imprensa, foi a manutenção da produção petrolífera que, ao longo de 2016 e apesar de todos os condicionalismos, se manteve acima de 1,700 milhão de barris por dia, colocando Angola como primeiro produtor de petróleo no continente africano. “Estes números são o resultado de muitas coisas que temos feito acontecer, algumas visíveis como os indicadores financeiros, outras menos visíveis”, realçou a empresária.

Isabel dos Santos referiu que, em Junho de 2016, quando assumiu gestão, a SONANGOL estava numa situação de crise económica no país, com a empresa em quebra de receitas de 60% face a 2013 -2016, além de uma dívida elevada.

Perante situação, a nova gestão da petrolífera decidiu reformular a estratégia do negócio de forma a conseguirmos elevar as receitas das empresas. Por via do programa ‘Sonaplus’, que visa o aumento das receitas’ obteve um potencial que se cifra em 183 mil milhões de kwanzas (1,1 mil milhões USD), estando já capturados 43 mil milhões de kwanzas (260 milhões USD).

Nesta perspectiva, foi também adoptado o programa ‘Sonalight’ que prevê uma redução de custos até 200 mil milhões de kwanzas (1,2 mil milhões USD), sendo que 113 mil milhões de kwanzas (680 milhões USD) estão já aprovados.

Em 2016, com incidência sobretudo no segundo semestre, foi alcançada uma poupança efectiva de 53 mil milhões de kwanzas (320 milhões USD). O CA aponta, como exemplo “de sucesso” do Sonalight, a renegociação de contratos na Sonangol, Pesquisa & Produção, o redimensionamento das operações no Shipping e a centralização de volumes e negociação de contratos ou a racionalização de gastos com os seguros.

A Sonangol mantém, no entanto, a decisão anunciada na conferência de imprensa, de 5 de Dezembro de 2016, de não pagar dividendos ao Estado, justificando-se com a necessidade de reinvistir, com o objectivo de manter os actuais níveis de produção. Pelo segundo ano consecutivo, o Estado vê-se assim privado de contar com os lucros da Sonangol.

Em 2016, o Programa de Investimentos da Sonangol atingiu um valor de três mil milhões de dólares, 97% dos quais investidos nos segmentos exploração e produção, sugerindo o foco da nova administração no negócio core.

O investimento correspondeu, entretanto, um decréscimo de 35% face ao ano anterior, redução que se deveu à necessidade de reavaliar decisões de investimento, à luz do novo contexto macroeconómico e dos cenários de evolução do preço do crude, segundo a companhia.

630 MILHÕES DE BARRIS

Em 2016, foram produzidos em Angola 630.113.030 barris de petróleo bruto, equivalentes a uma média diária de 1.721.620 barris, sendo que o volume de produção alcançado decresceu em 3%, face ao exercício anterior. O decréscimo é explicado pela paragem da produção do FPSO Dália, no Bloco 17, para manutenção geral programada, cuja duração foi de 35 dias, com perdas estimadas de 210.000 bbls/d, situação a que se acresce o declínio natural dos campos e paragens não programadas de algumas instalações devido a problemas operacionais. De acordo com os dados da Sonangol, as operadoras petrolíferas estrangeiras produziram 96,7% do volume total da produção de petróleo bruto durante o ano. Os restantes 3,3% correspondem à produção das operadoras nacionais (Sonangol Pesquisa e Produção e Somoil), com 2.8% e 0.5%, respectivamente.

CUSTO MÉDIO DE PRODUÇÃO

cai 18% O custo operacional médio ponderado da indústria petrolífera foi de 7,62 dólares por barril, excluindo os custos de abandono, verificando-se uma redução de 18%, face a 2015, com os maiores níveis de eficiência a registaram-se nos Blocos 15 e 31, que apresentaram custos unitários de 4,73 dólares por barril.

Contrariamente, os menores níveis de eficiência observaram-se no Bloco 4/05, com um custo de 32,80 dólares por barril e nas Associações FS e FST, com um custo de 25,29 e 22,05/ Bbl, respectivamente.

EXPORTAÇÕES DE 2016

As exportações de petróleo bruto da Sonangol atingiram 89% dos direitos arrecadados no período, tendo o remanescente sido entregue à Refinaria de Luanda. A empresa declara que, no ano passado, produziu 2.561.663 toneladas métricas de produtos refinados, registando um aumento de mais 70.148 toneladas métricas comparativamente ao período do ano anterior.

A diferença, segundo a companhia, explica-se pelo investimento, nos últimos seis meses, no reforço da capacidade da única refinaria do país que permitiu o aumento da produção de refinados com maior procura e mais rentáveis. A produção da gasolina registou um incremento de 103%, ao passo que a do jet A1 subiu 9%. No entanto, o país continua a ter custos elevados de importação de produtos refinados na ordem dos 180 milhões.

O perfil de produção dos produtos refinados não sofreu grandes alterações, com maior produção de fuel oil (38%), seguido do gasóleo (24%), nafta (12%), jet A1 (10%), jet B e kerosene (3%) e do LPG (1%. Os restantes produtos contam com cerca de 9% de forma agregada.

Last modified on segunda, 10 julho 2017
 

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