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CONFLITO. Empresa gerida por Matos Cardoso está em ‘águas turvas’ desde o ano passado. Trabalhadores avançam para tribunal contra a administração e dizem-se abandonados pelo Governo.

 

O Ministério da Economia (MINEC) tem estado a fazer diligências, “mas sem sucesso”, junto dos accionistas da empresa FIL, que organizava a maior bolsa de negócios de Angola, FILDA, para se proceder à dissolução e liquidação da empresa, informou ao VALOR a comissão de trabalhadores da empresa. A comissão fez saber que, numa carta endereçada à ministra dos Assuntos Parlamentares, Rosa Luís Micolo, o MINEC declarou que, devido à situação financeira “deficitária” da FIL cuja reversão se revela “difícil” a curto prazo, o ministério tem vindo a solicitar diligências para a dissolução e liquidação da empresa.

A carta do MINEC à ministra surgiu em resposta ao ofício que os trabalhadores endereçaram à Assembleia Nacional, em reclamação pelos 15 meses de salários em atraso que a administração da FIL, liderada por Matos Cardoso, não se disponibiliza a liquidar, e depois de esgotadas as tentativas de resolução interna. Na carta, o MINEC explica que os “encargos para com os trabalhadores da FIL, SA relativamente aos salários e eventuais indemnizações compensatórias para a dissolução da sociedade deverão ser suportados com as receitas arrecadadas com a alienação do património residual da sociedade”.

A missiva reforça que os trabalhadores pertencem à FIL e não à FILDA, “o que significa que são de uma empresa privada e não do Estado”. Em jeito de protesto contra essa afirmação, a comissão dos trabalhadores explica que muitos funcionários que integravam a empresa transitaram da ex-feira Expo Angola para a FIL. A situação em que os trabalhadores se encontram, agravada desde Outubro do ano passado, resultou em duas greves em Dezembro, mas sem sucesso. A comissão afirma que, desde Outubro, que Matos Cardoso não comparecia nas instalações da FILDA para dar qualquer explicação ou administrar a empresa.

As greves resultaram em dois encontros, um dos quais com a presença da Polícia, mas também com resultados “falhados”.

O VALOR tentou contactar a administração da FIL, mas sem sucesso. A ‘VER NAVIOS’ Depois de mais de nove meses sem salário e sem solução interna, os trabalhadores da FIL começaram a procurar soluções externas, junto de órgãos do Governo e de “figuras importantes”. Os funcionários endereçaram cartas e pedidos a várias instâncias, como o MINEC, Casa Civil do Presidente da República, Assembleia Nacional, Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), MPLA e ao candidato à presidência da República de Angola, do partido no poder, João Lourenço.

A Casa Civil enviou a carta ao MINEC e este, em resposta, declarou que a empresa era privada e a “ela cabia pagar o salário dos seus funcionários”.

Na missiva ao MAPTSS, este órgão interpelou a administração, que fez saber de “imediato” que não tinha dinheiro para pagar aos trabalhadores. O MPTSS aconselhou os trabalhadores a encaminharem o caso ao tribunal, que já tem um processo e aguarda desenvolvimentos.

Da Assembleia Nacional, através da ministra Rosa Luís Micolo, os mais de 60 trabalhadores receberam a promessa de ajuda com um advogado para os representar em tribunal. O pedido de ‘socorro’ chegou aos demais accionistas que, segundo os trabalhadores, são os bancos BAI, BPC e o Instituto para o Sector Empresarial Público (ISEP).

Mas as entidades responderam que são accionistas minoritários e que a maior parte das acções pertence a Matos Cardoso.Os accionistas deixaram a questão para uma reunião da assembleia-geral em que decidirão o futuro e o pagamento de salários. De porta a porta e sem “grandes respostas e soluções”, os trabalhadores dizem-se “cansados” e “abandonados” pelo Governo e pela administração da FIL.

A última reunião do grupo ocorreu na quarta-feira passada, em que ficou acordado endereçar “um grito de socorro” ao Presidente da República, caso as entidades solicitadas não resolvessem o caso.

‘NOVA’ FILDA NÃO AGRADA

Os trabalhadores dizem que tomaram conhecimento do anúncio da realização da FILDA com grande surpresa e através dos meios de comunicação social. O coordenador da comissão, Baião Luís, não entende a razão da transferência da feira para a Baía de Luanda, quando o espaço oficial da FILDA, no Cazenga, tem condições e espaço “mais do que suficiente” para acolher os 200 expositores.

A comissão lamentou também o estado degradado em que o espaço que acolhia a feira se encontra e atribuiu a culpa ao Estado. “Deviam ter posto seguranças no local, assim se evitavam os roubos de cabos e a depredação de vidros”.

 

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