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BANCA. Terceiro maior banco em activo deu entrada em tribunal de perto de 70 casos de crédito irregular. E espera que o número cresça ainda este ano. Rácio de crédito malparado no banco é de 16%. Há mais bancos preocupados, que se queixam da lentidão da justiça.

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O Banco Angolano de Investimento (BAI) admite ter em tribunal, por incumprimento, cerca de 70 processos de crédito, casos que promete “perseguir judicialmente”, revela o presidente da sua comissão executiva, Luís Lélis.

De acordo com o gestor, o número de processos em tribunal poderá aumentar ainda este ano, lembrando que o rácio de empréstimos malparados na entidade já ronda os 16%, justificados pelos “erros na avaliação de projecto e respectivos estudos de viabilidade”. “Assumo que, no passado, teremos cometido erros na avaliação daquilo que eram os pressupostos. Ao mesmo tempo assumo que muito dos processos que nos foram submetidos para crédito, os pressupostos depois não se concretizaram. Quando não se concretizam os pressupostos, quando o estudo de viabilidade não é bem analisado, todos cometemos erros. E daí este nível de crédito em incumprimento”, confessou o gestor à margem do fórum sobre financiamento ao sector privado, do banco central.

Luís Lélis apelou aos tomadores dos empréstimos bancários a liquidarem dívidas sempre que as contraiam. “O sistema financeiro angolano emprega mais de 10 mil funcionários. Nós prestamos um serviço de utilidade pública. Vivemos da concessão de crédito, mas o que pretendemos também é que quem vai buscar o crédito tenha o sentido de responsabilidade de devolver o dinheiro”, reforçou o gestor.

“E não podemos continuar a ter também pessoas que, sob determinados pressupostos, fogem a cumprir com suas responsabilidades perante o banco. E isso existe. Vamos ser francos. Há pessoas que se furtam a cumprir com suas responsabilidades porque sabem das deficiências do sistema jurídico-legal”, acrescentou, lembrando que “ninguém está acima da lei”.

Até 31 de Dezembro de 2017 (últimas estatísticas compiladas), o BAI era o terceiro maior banco angolano no ‘ranking’ por crédito líquido concedido a clientes, com 369.345 milhões de kwanzas, a mesma posição alcançada em igual período anterior (mas com o crédito a situar-se nos 379.864 milhões), segundo a Deloitte, no estudo ‘Banca em Análise 2017’ (ver gráfico).

Mais bancos preocupados

Também Fernando Teles, accionista e chairman do Banco BIC, mostrou-se preocupado por os processos de créditos “não serem resolvidos com celeridade”, nos tribunais. Na sua opinião, quando os processos vão para o judicial ainda são lentos morosos.

“Infelizmente, a justiça ainda é lenta. Mas, mesmo aí, notamos que já está a ser um bocadinho melhor do que era há alguns anos. Mas faço apelo ao Governo para que crie condições, para que a parte jurídica, a parte dos tribunais, seja mais rápida a decidir situações em que temos hipotecas. Por isso, é só haver uma decisão no sentido que o bem não seja entregue”, defendeu o banqueiro.

Fernando Teles reconhece que “há preocupação normalmente de negociar com clientes a reestruturação, primeiro, do crédito, alongando os prazos. Mas, nos casos em que há uma situação de não pagamento”, o recurso tem sido “pôr acções em tribunais”. Os rácios de malparado do BIC oscilam entre 10 e 15%.

Crescimento económico ajuda

O banqueiro acredita que a resolução do crédito “poderá acontecer com o crescimento económico, ou com a criação de emprego”. E estima um prazo de dois a três anos para que haja retoma económica. “Quem está na gestão dos bancos tem de ter consciência de que estamos a gerir dinheiro dos accionistas e essencialmente dinheiro dos depositantes. Por isso, temos de conceder créditos bem concedidos, temos de ter uma política no dia a dia de acompanhamento do crédito malparado, criar sobretudo provisões para que esse crédito malparado esteja coberto ou não faça que o banco tenha uma situação de falência ou tenha uma situação de dificuldade. Tem de se criar provisões”, defendeu.

Segundo o gestor, o BIC tem hoje cobertura para crédito malparado em cerca de 147%. “Somos dos bancos que têm a situação controlada. Parte do crédito malparado tem garantias reais, temos hipotecas de imóveis”, garantiu.

 

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