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Os analistas do Banco de Fomento Angola (BFA) consideram que a recessão que o país vai enfrentar este ano "deverá ser mais intensa do que a verificada em 2016", ano em que o PIB caiu 2,5%.

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De acordo com uma informação ao mercado dos analistas do BFA, "tendo em conta as previsões para o PIB petrolífero, é de esperar uma recessão, que deverá ser mais intensa do que a verificada em 2016".

O documento, feito no seguimento da divulgação pelo Instituto Nacional de Estatística, da evolução do PIB nos primeiros seis meses deste ano, considera que as mudanças no país, "sendo positivas, não estão a permitir um ambiente de estabilidade que é necessário ao início de uma recuperação económica", e acrescenta que a política contraccionista do Banco Nacional de Angola origina uma escassez da moeda local.

"Estes dois factores, conjugados com o encarecimento das importações através da depreciação [do kwanza face ao dólar], está a causar uma significativa retracção da procura interna", apontam os analistas.

O INE, diz o departamento de estudos económicos do BFA, "reviu de maneira significativa o histórico do PIB, com destaque para os dados de 2017", registando que "a economia não petrolífera teve um desempenho bastante mais favorável, ao crescer 3,1%, quando a estimativa anterior apontava para quebra de 8,9%" e, em sentido inverso, "o PIB petrolífero foi revisto em baixa para todo o ano de 2017, tendo contraído 5,2%, quando a estimativa anterior mostrava um aumento de 8,2%".

A revisão dos dados, sublinham os analistas, "resolveu um paradoxo que parecia ocorrer, em que a diminuição na produção petrolífera estava a ser acompanhada por um aumento na atividade económica do sector dos hidrocarbonetos" em Angola. "Os dados revistos revelam agora que, de facto, a redução na produção petrolífera foi acompanhada por uma quebra do PIB petrolífero da mesma ordem, e não apenas em parte.

Assim, tendo em conta as expectativas de produção de crude até ao final do ano, será de esperar uma continuada quebra significativa do PIB petrolífero, pelo menos até ao 1.º trimestre de 2019, inclusive", antecipam os economistas.

Na análise do departamento de estudos económicos do BFA, lê-se ainda que a degradação da produção petrolífera é "a principal causa para que o PIB esteja a diminuir com esta intensidade" e assume-se que é esperada "uma significativa recessão" este ano, sendo que "é agora claro que o mais provável é a quebra ou estagnação" do setor não petrolífero, "com um eventual início de recuperação no final deste ano".

Os analistas do BFA sublinham que, "em termos estruturais, estão a criar-se condições para o crescimento da economia", mas alertam que "a conjuntura será negativa durante este ano, e uma parte do próximo".

O sentimento dos mercados relativamente a Angola, admitem, pode "tomar uma tendência mais pessimista, no curto prazo, pese embora a manutenção de expetativas elevadas face ao médio e longo prazo, causado pela reputação reformista do atual executivo".

 

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