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BANCA. Associações empresariais manifestaram-se contra requisitos do banco que obriga um colateral de 20% para quaisquer empréstimos dentro da linha de crédito do BAD. Disponível desde Agosto, dinheiro não serviu nenhuma empresa. BPC fala em “má interpretação”. E que “só segue balizas” do financiador. BAD nega ter dado essa instrução.

sede BPC

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) está a exigir, entre outras condições, um depósito de até 20% do valor que as empresas solicitam em empréstimos bancários, ao abrigo da linha de crédito do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), denunciou o secretário da Federação das Associações Empresariais de Luanda (FAEL), José Ganga.

A medida do banco já está a prejudicar várias empresas associadas à FAEL e já se levanta a possibilidade de encerramento de algumas companhias, se a instituição bancária estatal não corrigir o quadro, de acordo com o líder associativo da Federação que congrega mais de 20 associações empresariais, ao VALOR.

“Como secretário da Federação, tentei informar-me das condições e das exigências do BPC, no sentido de os nossos federados terem acesso a essa linha. Para além de uma série de exigências que são normais para o acesso ao crédito bancário, também o BPC exige que o empresário deposite 20% do valor que ele solicitar ao banco dentro dessa linha de financiamento do BAD”, afirmou José Ganga, diante do economista do BAD e vários técnicos da banca, à margem de um seminário que discutiu, na semana passada, ‘os instrumentos de financiamento internacional’, do Ministério das Finanças.

Anunciado há três anos, ainda na gestão de Paixão Júnior, a linha de financiamento do BAD prevê um desembolso de até 325 milhões de dólares. Parte deste montante, estimados em 120 milhões, já entrou nos cofres do banco, que anunciou a abertura da linha em Agosto último à margem da Expo-Huíla.

Até segunda-feira, e como confirmou a direcção de comunicação e marketing do banco, nenhuma empresa tinha sido já contemplada com um centavo deste envelope financeiro, situação também duramente criticada pelos empresários de Luanda, que dizem “não se justificar”, já que “o país está em crise”.

“Infelizmente, nenhum [empresário ainda recebeu dinheiro]. A última vez que contactei o BPC foi há um mês. E, até agora, ninguém conseguiu ter acesso a esta linha, devido a exigência. E não estou a falar de exigências relativamente a outras questões. A barreira intransponível são os 20%”, atira o empresário, que também é líder da Associação das Indústrias Panificadoras de Luanda.

Condições são do mercado…

Ao VALOR, o BPC nega, entretanto, estar a exigir quaisquer depósitos ou colaterais. Assume, no entanto, estar a seguir orientações baixadas pelo financiador que ditou as regras de como a entidade podia operacionalizar os recursos. Para o BPC, as condições exigidas para o acesso à linha de crédito estão dentro das regras tradicionais do mercado, sublinhando que “nenhum banco financia 100% dos projectos”.

“O banco não está a exigir 20% de colateral. O que o banco está a exigir é que a pessoa que vai receber o financiamento tenha, pelo menos, 20% do valor que ele está a solicitar já aplicado no projecto. É como ir, por exemplo, fazer um crédito automóvel. O banco não financia 100% do carro. Precisas de ter 10% do valor. Há bancos que até exigem 20%”, responde o BPC, através da sua direcção de comunicação e marketing.

O BPC também considera que tenha havido “uma má interpretação ou falta de vontade de falar a verdade” por parte dos empresários associados da FAEL, sublinhando que os contratos de créditos são guiados por condições e que os bancos podem escolher os que têm “melhor viabilidade”. “O banco recebeu valores numa linha de financiamento do BAD. Naturalmente, o banco paga directamente ao BAD, mas o BPC repassa esses valores aos clientes. E é nessa linha de repasse que o banco vê o lucro. O banco licenciou produtos com base nalgumas balizas e indicações dadas pelo próprio BAD”, aponta.

…Mas BAD desconhece

Confrontado pelo empresário José Ganga, sobre as exigências de 20% do BPC na concessão de empréstimos com recurso a fundos do BAD, o economista-principal do organismo, Joel Muzima, que está em fim de mandato em Luanda, disse “desconhecer” que o estatal BPC esteja a cobrar 20% do dinheiro que os empresários solicitam em crédito.

“Confesso que, para nós, é uma novidade. Não sabíamos que o BPC está a solicitar 20% de entrada [para libertar crédito]. Qual é o empresário que vai conseguir esses recursos? Sabemos das condições do financiamento, que é para agricultura, água e energia e indústria”, questionou Muzima, que se manifestou preocupado com a passividade do banco na operacionalização dos recursos.

“A nossa preocupação é que esse dinheiro, que já está lá [no BPC] desde Dezembro, seja utilizado. Quando não é utilizado, torna-se também um passivo. Se o banco não consegue passar os 500 mil dólares ao empresariado, então qual é a finalidade do financiamento? Onde é que serão aplicados?”, rematou o economista, que encarajou o empresariado a não se “decepcionar”.

 

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